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Um em dez trabalhadores é "incompetente"
2 de fevereiro de 2004
135,000 vagas de emprego não podem ser preenchidas por falta de conhecimentos
Tradução: Pedro Lourenço Gomes

Uma pesquisa com 72.000 empregadores, a maior de seu tipo, revelou recentemente que 20% das vagas de emprego da Inglaterra permanecem desocupadas por causa da falta de candidatos especializados – em torno de 135.000 vagas.

O Conselho de Aprendizagem e Especializações (Learning and Skills Council - LSC), organização responsável pelo desenvolvimento de especializações na Inglaterra, comissionou a pesquisa, que mostra que quase metade dos empregadores que registraram “vagas por falta de especializações” disseram que estavam perdendo oportunidades de negócios para competidores como resultado da falta de trabalhadores especializados.

Os números vêm na esteira dos dados do CBI publicados no final de 2003, mostrando que 29% das empresas estão exportando empregos e outros 43% delas estão sofrendo pressões para fazer o mesmo. Um quarto das empresas pesquisadas citaram os conhecimentos profissionais como fator chave de sua decisão de obter mão de obra externa.

Recentes contratações de alto nível incluíram empresas como HSBC e P&O.

As lacunas em especialização na atual força de trabalho dos empregadores também são um importante problema. Mais de um quinto (22%) dos empregadores dizem que as aptidões de sua força de trabalho não passam de conhecimentos básicos.

Ter uma força de trabalho sub-especializada afeta adversamente os resultados financeiros destes empregadores, que conseqüentemente registraram custos operacionais mais altos.

Por volta de um quinto destes empregadores também disseram que perderam pedidos como resultado, tendo sua qualidade e seu atendimento aos clientes também sido significativamente afetados. As pequenas empresas são as que mais provavelmente perdem pedidos por falta de uma equipe especializada.

Os problemas de recrutamento também ameaçam as inovações nacionais. Por exemplo, 36% dos empregadores com vagas que não conseguiam preencher declararam que tiveram que retardar o desenvolvimento de novos produtos como resultado disso.

Um relatório recente do Dti afirmou que as inovações gerais do Reino Unido eram no máximo medianas, em comparação com os principais competidores internacionais.

1. Outros efeitos da escassez de empregados especializados no mercado de trabalho incluíam serviços ao cliente deficientes e uma carga de trabalho maior para a equipe existente (83%). As implicações para a economia britânica são significativas. De acordo com uma pesquisa da Ernst & Young, as perdas da indústria por causa da falta de especializações básicas chegam anualmente a £10 bilhões. A pesquisa também revela que esta mesma escassez de especializações básicas custa £ 165.000 anuais para as empresas convencionais com 50 empregados.

2. Significativamente, o resultado por hora trabalhada é por volta de 30% maior nos Estados Unidos, na França e na Alemanha do que no Reino Unido. Até um quinto dessa lacuna de produtividade com a Alemanha e a França é resultado direto de níveis inferiores de especialização britânicos.

3. Apesar de quatro em cada cinco empregadores estarem atualmente tomando ativas providências para resolver a deficiência de especialização de sua força de trabalho, despendendo em torno de £4,5 bilhões em treinamento, apenas a metade dos empregados se beneficiam disto. Por enquanto, quase um terço dos empregadores que sofrem déficits de especialização em sua força de trabalho admitiram que ao deixarem de treinar seus empregados eles mesmos contribuiram para a existência de problemas com especialização.

O LSC está convocando as empresas para que juntos enfrentem este desafio.

Mark Haysom, presidente do LSC, declarou: “Esta pesquisa se resume em ouvir e entender as necessidades das empresas. Para permaneceram competitivas tanto nacional como internacionalmente as empresas britânicas devem elaborar estratégias para treinamento e desenvolvimento da equipe. Esta pesquisa, a maior de seu tipo sobre as necessidades de conhecimento dos empregadores da Inglaterra, nos permitirá identificar melhor aquelas áreas específicas que têm mais necessidade de investimento e continuar nosso trabalho junto aos empregadores para desenvolver soluções. Precisameos que as empresas reconheçam os problemas implicados aqui e trabalhem em parceria conosco”.

A pesquisa investiga 27 setores empresariais, e envolve todos os tamanhos de organizações.

Uma das companias envolvidas era uma das principais fábricas de automóveis, a BMW. Comentando as descobertas da pesquisa, Harald Hrueger, diretor-gerente da BMW, disse: “Nós sabemos que cuidar das lacunas de especialização na força de trabalho é crucial para o sucesso de nosso negócio. Na BMW nós temos o compromisso de treinar a equipe em todos os níveis e consideramos isto fundamental para a lucratividade da empresa”.

O LSC utilizará os dados da Pesquisa Nacional de Especializações dos Empregadores para planejar e financiar essa atividade, para assegurar que ela preencha as necessidades específicas das empresas.

Os achados mais importantes da pesquisa foram discutidos por Gordon Brown, Chancellor of the Exchequer (secretário do tesouro), Charles Clarke, Secretário de Estado para Educação e Especializações, e o presidente do LSC, Mark Haysom, em um evento dirigido para acionistas que ocorreu na última quinta-feira.

Mais notícias sobre o assunto da falta de especilizações.

Falta de especializações em IT (Information Theory, Informática).

Em uma recente pesquisa comissionada pela British Computer Society, descobriu-se que a produtividade de nove entre dez firmas está sendo prejudicada pela ausência de especilizações em informática. Ao mesmo tempo em que 98% do pessoal precisem de especilizações em informática como parte do trabalho, 75% dizem que houve desperdício de tempo devido à ausência de conhecimentos sobre computação.