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GUIA SIRC DA PAQUERA (INGLESA)
Kate Fox
Tradução: Pedro Lourenço Gomes,
em jumho de 2003.
SIRC: Social Issues Research Centre (Centro de Pesquisas
de Questões Sociais)
Por
que paqueramos?
A paquera é muito mais do que apenas um pouco
de diversão: é um aspecto universal e
essencial da interação humana. Pesquisas
antropológicas mostram que a paquera é
encontrada, de alguma forma, em todas as culturas e
sociedades do mundo. Paquerar é um instinto básico,
parte da natureza humana. Isto não é surpreendente:
se não iniciássemos contato com e expressássemos
interesse em membros do sexo oposto, não chegaríamos
até a reprodução, e a espécie
humana se tornaria extinta. De acordo com alguns psicólogos
evolutivos, a paquera pode ser até a fundação
da civilização como a conhecemos. Eles
argumentam que o grande cérebro humano - nossa
inteligência superior, nossa linguagem complexa,
tudo o que nos distingue dos animais - é o equivalente
da cauda do pavão: um dispositivo de cortejamento
desenvolvido para atrair e reter parceiros sexuais.
Nossas realizações em tudo, de arte a
foguetes espaciais, pode ser meramente um efeito colateral
da capacidade essencial de encantar.
Se
a paquera é instintiva, por que precisamos deste
Guia?
Como qualquer outra atividade humana, a paquera é
governada por um complexo conjunto de leis não
escritas de etiqueta. Estas são as regras que
ditam onde, quando, com quem e de que maneira nós
paqueramos. Em geral nós obedecemos estas leis
não-oficiais instintivamente, sem ter consciência
de que fazemos isto. Só nos tornamos conscientes
das regras quando alguém comete uma quebra da
etiqueta - paquerando a pessoa errada, talvez, ou em
um tempo ou local não apropriado. Jogar uma conversa
em cima de uma viúva no enterro de seu marido,
por exemplo, no mínimo incorreria em desaprovação,
senão angústia ou raiva.
Este
é um exemplo muito óbvio, mas os aspectos
mais sutís e complexos da etiqueta da paquera
podem ser confusos - e a maioria de nós já
cometeu alguns erros embaraçosos. As pesquisas
mostram que os homens acham particularmente difícil
interpretar alguns indícios mais sutís
da linguagem corporal das mulheres, e tendem a confundir
amizade com interesse sexual. Outro problema é
que em algumas culturas bastante puritanas, como na
Inglaterra e nos Estados Unidos, a paquera adquiriu
má reputação. Alguns de nós
ficaram tão preocupados em ofender ou enviar
os sinais errados que estamos em perigo de perder nosso
talento natural para uma paquera inócua e sem
compromisso. Assim, para salvar a humanidade da extinção
e preservar as fundações da civilização,
a Martini comissionou Kate Fox, do Social Issues Research
Centre, para revisar e analisar todo o material de pesquisa
científica sobre a interação entre
os sexos, e produzir um guia definitivo da arte e da
etiqueta da diversão da paquera.
Os
psicólogos e cientistas sociais passaram muitos
anos estudando cada detalhe do relacionamento social
entre os homens e as mulheres. Até hoje, suas
descobertas fascinantes estiveram enterradas em obscuras
publicações acadêmicas e pesados
livros cheios de jargão e de notas de rodapé.
Este Guia é o primeiro a revelar estas importantes
informações para uma platéia popular,
fornecendo aconselhamento profissional sobre onde paquerar,
quem paquerar, e como fazê-lo.
Festas
A paquera é mais socialmente aceitável
em festas, celebrações e funções/ocasiões
sociais. Em alguns destes eventos (por exemplo, festas
de Natal, de Ano Novo) um certo grau de comportamento
paquerante não só é socialmente
admissível como é quase esperado. Isto
ocorre porque a maioria das festas, celebrações,
carnavais e festivais são governados por um código
especial de comportamento que os antropólogos
chamam de "remissão cultural" - um
relaxamento temporário e estruturado dos controles
e restrições sociais normais.
Isto
pode parecer uma maneira exótica de dizer "bota
prá quebrar", mas não é. A
"remissão cultural" não significa
abandonar todas as suas inibições, ir
em frente e se comportar exatamente da maneira que desejar.
Existem regras de comportamento mesmo no carnaval mais
selvagem - apesar de envolverem uma reversão
completa da etiqueta social e cotidiana. O comportamento
da paquera que normalmente é mal visto, pode
ser ativamente requerido, e uma recusa pretensiosa em
participar pode incorrer em desaprovação.
Lugares
onde se bebe
A paquera também é socialmente aceitável
em alguns lugares públicos, usualmente onde se
serve álcool - como bares, pubs, clubes noturnos,
discotecas, bares de vinhos, restaurantes, etc. Uma
pesquisa demonstrou que 27% dos casais ingleses encontraram
pela primeira vez seu atual companheiro em um pub, e
o álcool foi votado como a ajuda mais eficaz
para a paquera por pesquisados do Levantamento Martini
sobre a Paquera. Mas a paquera em lugares onde se bebe,
entretanto, está sujeita a mais condições
e restrições do que em festas. Nos pubs,
por exemplo, a área em volta do balcão
é universalmente entendida como sendo a "zona
pública" onde iniciar-se uma conversa com
um estranho é aceitável, ao passo que
sentar-se em uma mesa usualmente indica um desejo maior
de privacidade. As mesas que ficam mais longe do balcão
do bar são as zonas mais "particulares".
Como
norma prática ou empírica, os estabelecimentos
ou "zonas" mais orientados para a alimentação
tendem a desencorajar o flerte entre estranhos, enquanto
aqueles dedicados a se beber e a se dançar levam
mais a oportunidades de flerte entre parceiros já
estabelecidos.
Locais
de ensino
Escolas, faculdades, universidades e outros estabelecimentos
educacionais são viveiros de paqueras. Isto ocorre
principalmente porque estão cheios de pessoas
jovens e solteiras que estão fazendo suas primeiras
tentativas de seleção de um companheiro.
(NT - para não complicar a tradução,
os nomes vão às vezes no masculino e às
vezes no feminino, mas os leitores estão sabendo
que o texto vale para todos e todas). Os locais de ensino
são também particularmente conducentes
à paquera porque os estudantes compartilham preocupações
e estilos de vida e há uma atmosfera informal,
tornando fácil para eles iniciar conversas entre
si. Simplesmente por serem estudantes os parceiros de
paquera automaticamente têm muito em comum, e
não precisam lutar para encontrar assuntos de
interesse mútuo.
A
paquera é oficialmente um pouco mais restrita
em locais de ensino do que em locais onde se bebe, já
que a educação supostamente tem prioridade
sobre preocupações puramente sociais,
mas em muitos casos a diferença pode não
ser muito notável. Fazer um curso ou ter aulas
noturnas, de fato, pode fornecer mais oportunidades
para uma paquera relaxada e divertida do que frequentar
bares e clubes noturnos.
Local
de trabalho
No trabalho, a paquera é usualmente aceitável
apenas em certas áreas, com certas pessoas, e
em horas e ocasiões específicas. Não
há leis universais: cada local ou ambiente de
trabalho tem sua própria etiqueta não
escrita que governa o comportamento da paquera. Em algumas
empresas a máquina de café ou a cafeteria
pode ser a "zona designada de paquera" não
oficial, e outras empresas podem fazer cara feia para
a paquera durante o expediente, ou entre gerentes e
seu pessoal, enquanto algumas têm uma duradoura
tradição de cumprimentos matinais divertidamente
fundados na paquera. A observação cuidadosa
dos colegas é a melhor maneira de se descobrir
a silenciosa etiqueta de paquera do seu local de trabalho
- mas certifique-se de que você está se
guiando pelo comportamento dos indivíduos tidos
na mais alta conta dentro da empresa, e não no
"palhaço", no "paquerador"
ou na "piranha".
Esportes/Hobbies
de participantes
Quase todo esporte ou hobby com participantes envolve
paquera. O nível de comportamento de paquera,
entretanto, frequentemente tende a ser inversamente
relacionado aos padrões obtidos pelos participantes
e seu entusiasmo pela atividade. Em geral você
vai ver bastante paquera entre jogadores incompetentes
de tênis, nadadores inadequados, oleiros de mão
ruim, etc., mas um pouco menos (paquera) entre participantes
competitivos sérios e competentes nas mesmas
atividades. É claro que existem exceções
a esta regra, mas antes de entrar para uma equipe ou
um clube vale a pena verificar se os membros têm
grandes ambições de jogar em campeonatos
nacionais ou de ganhar prêmios de prestígio
por sua atuação. Se você está
procurando principalmente por oportunidades de paquerar,
evite estes grupos de alto nível e procure clubes
cheios de incompetentes felizes e sociáveis.
A
mais notável exceção a esta regra
é a corrida de cavalos, onde toda a "ação"
ocorre em apenas alguns minutos, o intervalo de meia
hora entre as corridas é dedicado à sociabilidade,
e a interação amigável entre estranhos
é ativamente encorajada pela etiqueta das pistas
de corrida. De fato, nossas próprias pesquisas
recentes sobre o comportamento de frequentadores de
corridas indica que o "microclima social"
da pista de corrida a torna um dos melhores ambientes
de paquera da Inglaterra.
COM
QUEM FLERTAR
Paquerando
por diversão
Em certo nível, você pode paquerar mais
ou menos qualquer pessoa. Uma troca de olhares de admiração
ou um pouco de papo leve de paquera podem iluminar o
dia, aumentar a auto-estima e fortalecer os laços
sociais. Nesse nível a paquera é inofensivamente
divertida, e apenas os mais empedernidos estraga-prazeres
poderiam fazer alguma objeção. Claramente,
faz sentido exercer algum grau de precaução
com pessoas que sejam casadas ou já estejam relacionadas.
A maioria das pessoas de relações de longo
prazo podem lidar com um pouco de admiração,
e podem até se beneficiar por saberem que as
acham atraentes, ou que ela acha seus parceiros atraentes,
mas os casais diferem quanto à tolerância
ao comportamento da paquera, e é importante estar
alerta para sinais de desconforto ou tensão.
As
pesquisas também mostraram que os homens têm
uma tendência em confundir comportamento amigável
com paquera sexual. Isto não ocorre porque sejam
estúpidos ou iludidos, mas porque tendem a ver
o mundo em termos mais sexuais do que as mulheres. Existem
também evidências que sugerem que as mulheres
são naturalmente mais sociavelmente hábeis
do que os homens, são melhores ao interpretar
o comportamento das pessoas e responder apropriadamente.
De fato, cientistas afirmaram recentemente que as mulheres
têm uma "diplomacia" especial que falta
aos homens. Isto significa que as mulheres têm
que ser particularmente cuidadosas, para evitarem o
envio de sinais ambíguos na interação
com homens casados, e os homens precisam estar conscientes
de que os homens casados/relacionados podem interpretar
mal um comportamento amigável com suas esposas/namoradas.
Por outro lado, a paquera sem compromisso é tanto
inofensiva como divertida.
Paquerando
de propósito
Mas paquerar também é um elemento essencial
do processo de seleção do companheiro,
e quando você estä "paquerando de propósito",
mais do que "paquerando por diversão",
você precisa ser um pouco mais seletivo sobre
seu alvo escolhido. Na paquera de seleção
de companheiro há duas regras básicas
sobre quem paquerar que vão aumentar suas chances
de sucesso e reduzir a possibilidade de rejeições
embaraçosas.
1.
Inicie a paquera com pessoas mais ou menos tão
atraentes quanto você. Isto vai lhe dar uma melhor
chance de compatibilidade. A maioria dos casamentos
bem-sucedidos e relações de longo-prazo
são entre parceiros com boa aparência mais
ou menos igual. Existe alguma margem, é claro,
e outras qualidades também são importantes,
mas estatisticamente os relacionamentos onde uma das
pessoas é muito mais atraente do que a outra
tendem a ser menos bem-sucedidos. Estudos mostraram
que quanto mais parecidos os parceiros forem quanto
à atratividade, mais provavelmente ficarão
juntos.
Mas
avaliar sua própria atratividade pode ser difícil.
As pesquisas mostram que muitas mulheres têm uma
imagem corporal pobre, e quase sempre subestimam sua
atratividade. Alguns estudos recentes indicam, por exemplo,
que até 80% das mulheres adultas acreditam que
são gordas demais, e tentam chegar a um figurino
pelo menos dois pontos abaixo do figurino que os homens
acham mais atraente. Se você for mulher, as chances
são de que você é mais atraente
do que pensa, então tente flertar com homens
mais bonitos.
Os
homens geralmente tendem a ser menos críticos
sobre sua própria aparência física
do que as mulheres. Iso ocorre parcialmente porque os
padrões de beleza para homens são muito
menos rígidos do que para mulheres, e uma variedade
mais ampla de formas e características são
consideradas atraentes. Mas deve ser dito que alguns
homens também têm inclinação
para subestimar sua atratividade. Se você for
um homem mais honesto, e não se considerar atraente,
lembre-se de que a maioria dos homens não têm
proficiência nas sutilezas da interação
social, de modo que polir suas habilidades de paquerar
podem lhe dar alguma vantagem sobre um rival mais atraente.
2.
Não paquere pessoas que provavelmente não
vão retornar seu interesse. Mesmo se você
não estiver procurando por um companheiro de
longo prazo, você vai gostar mais de paquerar
alguém que esteja interessado em você.
Desse modo, faz sentido abordar pessoas que o verão
pelo menos como um possível parceiro, mais do
que aquelas pessoas que provavelmente vão descartá-lo
como inadequado.
A
evolução favoreceu os homens que selecionam
companheiras jovens e atraentes, e mulheres que selecionam
parceiros com poder, riqueza e status (posição).
Os homens então, naturalmente, tendem a procurar
mulheres que sejam mais jovens do que eles e colocam
maior ênfase na beleza física, enquanto
que as mulheres mais provavelmente favorecem homens
com melhor posição e potencial de ganhos.
As mulheres também tendem a preferir homens que
são mais altos do que elas. A análise
de milhares de anúncios pessoais (nos jornais)
- onde as pessoas são mais explícitas
sobre suas exigências, e mais obviamente conscientes
das exigências dos outros - mostra que estas são
as qualidades mais frequentemente exigidas e oferecidas
pelos que procuram companheiros.
Homens
baixos, com posição modesta e mais velhos,
e mulheres menos atraentes, podem portanto ter um pouco
mais de restrições em sua escolha de companheiros
potenciais, apesar de existirem muitas exceções
a esta regra, e auto-confiança e charme podem
sobrepujar aparentes desvantagens. Na seção
Como Paquerar você vai encontrar dicas sobre como
identificar imediatamente, mesmo em um aposento cheio
de gente, se alguém provavelmente vai retornar
seu interesse ou não.
Como
paquerar
A primeira chave para a paquera bem-sucedida não
é a capacidade de se mostrar e impressionar,
mas a bossa de transmitir que você gosta de alguém.
Se seu "alvo" souber que você acha ele
ou ela interessante e atraente, ele ou ela ficarão
mais inclinados a gostar de você. Apesar deste
simples fato ter sido demonstrado em incontáveis
estudos e experimentos, você na verdade não
precisa dos cientistas para comprová-lo. Você
já sabe que quando você ouve dizer que
alguém tem interesse em você, ou ouve que
alguém elogiou ou admira você, o seu interesse
nesta pessoa aumenta automaticamente - mesmo se for
alguém que você nem conhece!
Transmitir
que você gosta de alguém e julgar se a
atração é ou não é
mútua claramente envolve uma combinação
de habilidades verbais e não-verbais de comunicação.
Quando interrogadas sobre a paquera, a maioria das pessoas
- particularmente os homens - se concentram no elemento
verbal: O "bate-papo", os problemas de saber
o que dizer, como encontrar as palavras certas, etc.
De fato, o elemento não-verbal - a linguagem
corporal, o tom de voz, etc. - é muito mais importante,
particularmente nos estágios iniciais da paquera.
Quando
você conhece novas pessoas, a impressão
inicial que elas têm de você se baseará
em 55% em sua aparência e linguagem corporal,
38% em seu estilo de falar e apenas 7% naquilo que você
realmente diz. Além disso, os sinais não-verbais
delas vão lhe dizer muito mais sobre o que sentem
sobre você do que as palavras que usarem. Nós
mostramos atitudes de gostar ou de não gostar
não pelo que falamos, mas pela maneira como dizemos
e pela postura, pelos gestos e expressões que
acompanham nossa fala. A costumeira expressão
"Prazer em conhecê-lo", por exemplo,
pode transmitir qualquer coisa desde "Eu te acho
realmente atraente" até "Não
estou nem um pouquinho interssada em você",
dependendo do tom de voz, da expressão facial,
da posição e da postura do falante.
Paquera
Não-verbal
Quando um homem e uma mulher se encontram pela primeira
vez, ambos estão em uma situação
difícil, ambígua e potencialmente arriscada.
Nenhuma dessas pessoas conhece as intenções
e os sentimentos da outra. Como afirmar intenções
e sentimentos verbalmente envolve um alto risco de se
ficar embaraçado ou de uma possível rejeição,
o comportamento não-verbal se torna o principal
canal de comunicação. Diferente da palavra
falada, a linguagem corporal pode sinalizar convite,
aceitação ou recusa sem que se seja muito
óbvio, sem ofender ou assumir compromissos.
Aviso:
algumas técnicas de paquera não-verbal
delineadas nesta seção são sinais
muito poderosos, e devem ser usados com cautela. As
mulheres devem ter especial cuidado quando usarem sinais
de interesse e atração. Os homens tendem
a confundir amizade com flerte; se seus sinais de interesse
forem muito diretos e óbvios eles irão
tomá-los erradamente por disponibilidade sexual.
Contato
visual
Seus olhos são provavelmente sua mais importante
ferramenta da paquera. Nós tendemos a considerar
nosso olhos principalmente como meios de receber informações,
mas eles também são transmissores altamente
poderosos de sinais sociais vitais. Como você
olha para outra pessoa, encontra seu olhar ou olha para
outro lado pode fazer toda a diferença entre
uma paquera bem-sucedida e aproveitável e um
encontro embaraçoso e doloroso. O contato visual
- olhar diretamente nos olhos de outra pessoa - é
um ato de comunicação tão poderoso
e emocionalmente carregado que nós normalmente
o restringimos a um relance. O contato visual entre
duas pessoas indica intensa emoção, e
é um ato de amor ou um ato de hostilidade. É
tão perturbador que nos encontros sociais normais
nós evitamos o contato visual por mais de um
segundo. Entre uma multidão de estranhos em um
ambiente público, os contatos visuais duram apenas
uma fração de segundo, e a maioria das
pessoas evita fazer qualquer contato visual.
Esta
é uma notícia muito boa para qualquer
pessoa que queira iniciar a paquera de um estranho atraente.
Mesmo através de um aposento cheio de gente de
uma festa você pode sinalizar seu interesse em
alguém simplesmente fazendo contato visual e
tentando segurar o olhar de seu alvo por mais de um
segundo (não muito mais, entretanto, ou você
parecerá ameaçador). Se seu alvo mantiver
o contato visual com você por mais de um segundo
as chances são de que ele ou ela possa dar retorno
ao seu interesse. Se após este contato inicial
seu alvo olhar brevemente para o outro lado e então
voltar a olhar para encontrar seus olhos pela segunda
vez, você pode seguramente supor que ele/ela está
interessado(a). Se estes contatos visuais ativarem um
sorriso, você pode se aproximar de seu alvo com
alguma confiança.
Se,
por outro lado, seu alvo evitar contato visual com você,
ou olhar para outro lugar após uma fração
de segundo e não olhar de novo, você provavelmente
pode supor que seu interesse não recebeu retorno.
Existe ainda a possibilidade de que seu alvo seja uma
pessoa muito tímida - e algumas mulheres podem,
compreensivelmente, ter medo de sinalizar qualquer indício
de interesse em homens estranhos. A única maneira
de descobrir é observar atentamente o comportamento
de seu alvo com relação a outras pessoas.
Ela consistentemente evita contato visual com outros
homens? Ele parece nervoso, ansioso ou desligado em
suas interações com outras mulheres? Se
assim for, a relutância de seu alvo em enfrentar
seu olhar pode não ser nada pessoal, e pode valer
uma aproximação, mas apenas com considerável
cautela.
Uma
vez que você tenha se aproximado de seu alvo,
você vai ter que fazer contato visual de novo
a fim de iniciar uma conversa. Assim que seus olhos
se encontrarem, você pode começar a falar.
Uma vez iniciada a conversa, é normal que se
rompa o contato visual à medida que o interlocutor
olha para outro lado. Nas conversações,
a pessoa que está falando olha mais para o outro
lado do que a pessoa que está ouvindo, e passar-a-vez
(na conversa) é dirigida por um padrão
característico de olhar, um contato visual e
uma olhada para outro lado.
Assim,
para sinalizar que você acabou de falar e convidar
uma resposta, você então olha para outro
lado e de volta para seu alvo. Para mostrar interesse
enquanto seu alvo está falando, você precisa
olhar para seu rosto uns 3/4 do tempo, em relances que
durem pelo menos entre um e sete segundos. A pessoa
que está falando normalmente olhará para
você menos da metade deste tempo, e o contato
visual será intermitente, raramente durando mais
do que um segundo. Quando seu alvo acabar de falar e
esperar uma resposta, ele ou ela olhará para
você e fará um breve contato visual de
novo para indicar que é sua vez.
As
regras básicas para uma conversa agradável
são: olhe mais para o rosto da outra pessoa quando
você estiver ouvindo, olhe menos quando você
estiver falando, e faça um breve contato visual
para iniciar a troca da vez. As palavras chaves aqui
são "relance" e "breve":
evite olhar prolongadamente para a pessoa ou para outro
lado. O erro mais comum que as pessoas fazem quando
flertam é exagerar o contato visual numa tentativa
prematura de aumentar a intimidade. Isto só faz
com que a outra pessoa se sinta desconfortável,
e pode enviar sinais errados. Alguns homens também
estragam suas chances conversando com os seios de uma
mulher, ao invés de olharem para seu rosto.
Distância
interpessoal
A distância que você mantém da outra
pessoa quando paquerando é importante, porque
afetará a impressão que ela tiver de você,
e a qualidade de sua interação. Talvez
ainda mais importante, prestar atenção
no uso que a outra pessoa faz da distância pode
transmitir bastante sobre a reação dela
a sentimentos sobre você. Quando você abordar
um estranho pela primeira vez, tendo estabelecido pelo
menos uma indicação de interesse mútuo
através de contato visual, tente fazer novo contato
visual a mais ou menos um metro de distância antes
de chegar mais perto. A mais ou menos um metro (uns
dois passos), você está no limite do que
é conhecido como "zona social" (de
um a três metros) e da "zona pessoal"
(uns 80 cm a um metro).
Se
você receber uma resposta positiva a um metro,
aproxime-se até o "comprimento de um braço"
(uns 80 cm). Se você tentar chegar mais perto
do que isto, particularmente se você tentar cruzar
os 80 cm da "zona pessoal/zona íntima",
seu alvo pode se sentir desconfortável. A "zona
íntima" (menos de 80 cm) está reservada
para amantes, familiares e amigos muito próximos.
Se você estiver perto o suficiente para sussurrar
e ser ouvido, você provavelmente está perto
demais para que a situação seja confortável.
Estas regras de distância se aplicam particularmente
em encontros face-a-face. Nós toleramos distâncias
interpessoais reduzidas quando estamos lado a lado com
alguém. Isto é porque quando você
está ao lado de alguém é mais fácil
utilizar outros aspectos da linguagem corporal, tais
como virar para ir embora ou evitar contato visual,
para "limitar" seu nível de envolvimento
com a outra pessoa.
Você,
portanto, pode se aproximar um pouco mais do que o "comprimento
do braço" se estiver ao lado de seu alvo
- no balcão do bar de um pub, por exemplo - mais
do que face-a-face. Mas tenha cuidado em evitar uma
linguagem corporal "intrusiva" - uma linguagem
como contato visual prolongado ou toque. Se você
mediu mal a distância apropriada, num encontro
face-a-face ou lado-a-lado, o desconforto da outra pessoa
pode aparecer em sua (dela) linguagem corporal. Seu
alvo pode tentar virar-se para o outro lado ou desviar
seu (dele) olhar para evitar contato visual. Você
também pode ver "sinais de barreira"
tais como braços e pernas cruzados, ou o ato
de coçar o pescoço com o cotovelo em sua
direção. Se você vir qualquer destes
sinais, saia fora!
Finalmente,
lembre-se que diferentes pessoas têm reações
diferentes quanto a distância. Se seu alvo for
de um país mediterrâneo ou latino-americano
(conhecidos como "culturas de contato"), ele
ou ela pode ficar confortável com distâncias
menores do que ficaria uma pessoa inglesa ou do norte
da Europa. Os norte-americanos se colocam mais ou menos
entre estes dois extremos. Diferentes tipos de personalidade
também podem reagir de maneira diferente à
sua aproximação: os extrovertidos e aqueles
que geralmente se sentem bem em grupo estarão
mais confortáveis a pequenas distâncias
do que tipos introvertidos, tímidos ou nervosos.
Até a mesma pessoa pode variar quanto à
tolerância de um dia para outro: quando estamos
deprimidos ou irritados, achamos as distâncias
menores menos confortáveis.
Postura
A maioria de nós tem um bom controle facial -
manter uma expressão de polido interesse, por
exemplo, quando estamos na verdade chorando de tédio,
ou mesmo assentindo com a cabeça quando na verdade
discordamos! Mas temos a tendência de ter menos
consciência do que o resto do corpo está
fazendo. Podemos estar sorrindo e assentindo, mas inconscientemente
revelando nossa discordância com uma postura tensa,
com braços apertadamente cruzados. Isto é
conhecido como "vazamento não-verbal":
enquanto estamos ocupados controlando nossas palavras
e rostos, nossos reais sentimentos "vazam"
em nossa postura. Quando paquerar você deve portanto
prestar atenção em sinais deste "vazamento
não-verbal" na postura da pessoa - e tentar
enviar os sinais corretos com sua própria postura.
O
"vazamento não-verbal" de seu parceiro
pode lhe dar um aviso prévio de que seu papo
não está funcionando. Se apenas a cabeça
dele/dela estiver virada em sua direção,
com o resto do corpo orientado em outra direção,
isto é um sinal de que você não
está tendo a atenção total de seu
parceiro. Mesmo apenas os pés começarem
a se desviar e "apontarem" em outra direção
pode ser um sinal de que a atenção dele/dela
está dirigida para outro lugar, ou que ele/ela
está pensando em ir para outro lugar. Curvar-se
para trás e sustentar a cabeça com uma
das mãos pode ser sinal de tédio. Posturas
"fechadas" com braços cruzados e pernas
apertadamente cruzadas indicam discordância ou
desafeto.
Sinais
mais positivos a serem observados seriam o corpo do
parceiro orientado em sua direção, particularmente
se ele/ela estiver inclinado(a) para frente, e uma postura
"aberta". Estes são sinais de atenção
e interesse, ou de gosto. Os experimentos também
mostraram que as mulheres provavelmente inclinam suas
cabeças para um lado quando estão interessadas
na pessoa com quem estão falando. Os homens devem
tomar cuidado, entretanto, em não supor automaticamente
que estes sinais indicam interesse sexual. As mulheres
devem estar conscientes desta tendência dos homens
para fazer tais suposições, e evitar assinalar
interesse muito obviamente.
Outro
sinal positivo é o que os psicólogos chamam
de "congruência postural", ou "eco
postural": quando seu parceiro inconscientemente
adota uma postura similar à sua. Ecos posturais
de imagem em espelho - quando o lado esquerdo de uma
pessoa "se combina" com o lado direito de
outra pessoa - são a mais forte indicação
de harmonia e aproximação entre o par.
Se a posição do corpo ou dos membros de
seu parceiro parecerem "ecoar" ou "mimetizar"
as suas, particularmente se sua (dele/dela) posição
for uma imagem-espelho da sua, existem chances de que
ele/ela sente afinidades com você. Quando paquerarr,
você também pode usar o eco postural para
criar um sentimento de aproximação e harmonia.
Experimentos mostraram que apesar das pessoas não
perceberem conscientemente que alguém está
deliberadamente "ecoando" suas posturas, elas
irão avaliar mais favoravelmente a pessoa que
faz isto. Se você "ecoar' as posturas de
seu parceiro, ele/ela não só se sentirá
mais à vontade em sua companhia como perceberá
uma afinidade mental entre vocês.
Esta
técnica, obviamente, tem seus limites. Nós
não sugerimos, por exemplo, que uma mulher de
mini-saia "ecoe" a postura sentada de pernas
abertas de seu companheiro. Mas se ele está se
inclinando para frente com seu antebraço repousando
sobre a mesa, ela pode criar um sentido de identidade
comum "espelhando" este aspecto de sua (dele)
postura - inclinando-se para frente com o antebraço
direito sobre a mesa.
Além
destes sinais "genéricos" de interesse,
há sinais posturais especificamente masculinos
e femininos que são vistos frequentemente em
paqueras. Eles tendem a ser posturas que fazem sobressair
a aparência masculina ou dominante do homem, e
a feminilidade da mulher. Os homens podem adotar posturas
que os façam parecer mais altos, mais encorpados
e mais impressionantes, tais como colocar as mãos
nos bolsos com os cotovelos virados para fora para alargar
o tórax, ou encostar-se na parede com uma das
mãos acima da linha do ombro para parecerem mais
altos e mais imponentes. As mulheres podem adotar posturas
que as tornem mais baixas, como trazer os joelhos na
direção do corpo quando sentadas, ou posturas
que chamem a atenção para atributos físicos
que atraem os homens, como arquear as costas para mostrar
os seios ou cruzar e recruzar as pernas para chamar
a atenção para elas (as pernas).
Gestos
Assim como a postura corporal geral, os gestos que usamos
podem sinalizar interesse, atração ou
convite - ou desconforto, desafeto e rejeição.
Quando paquerando, é importante ter consciência
destes indícios não-verbais, tanto na
"leitura" da linguagem corporal de seu parceiro
como no controle das mensagens que você está
enviando com seus gestos. Na conversação,
os gestos são principalmente usados para avivar,
esclarecer e "pontuar" nossa fala, ou para
demonstrar correspondência ao que a outra pessoa
está dizendo. Num encontro de paquera, a quantidade
de gesticulação, as direções
dos gestos e a coordenação dos gestos
podem indicar o grau de interesse e envolvimento que
seu parceiro sente em relação a você.
Diferentes
culturas variam amplamente na quantidade de gesticulação
que acompanha a fala ( os italianos dizem que você
pode calar um italiano amarrando suas mãos em
suas costas), e mesmo em uma única cultura algumas
pessoas naturalmente se expressam mais através
de gestos do que outras. Em geral, entretanto, alguém
que estiver interessado em você estará
mais vívido e animado na conversa, usando mais
gestos quando falar a fim de manter sua atenção,
e gestos de maior correspondência para demonstrar
interesse quando você estiver falando. Similarmente,
você pode sinalizar interesse em seu parceiro
e manter a atenção dele/dela concentrada
em você, incrementando sua fala com gestos apropriados:
balançando as mãos ou a cabeça
levemente ao final das frases, usando movimento de mão
para baixo para enfatizar uma questão, "projetando"
o que está dizendo na direção de
seu parceiro com movimentos de mão espalmada,
essas coisas. Quando seu parceiro estiver falando, você
pode demonstrar correspondência levantando as
mãos como se estivesse surpreso, juntá-las
num "aplauso silencioso", etc.
Os
pesquisadores descobriram que assentir com a cabeça
pode ser usado para "regular' uma conversa. Se
você faz assentimentos únicos e breves
quando seu parceiro está falando, estes agem
como sinais simples de atenção, que vão
manter o fluxo de comunicação do falante.
Assentimentos duplos com a cabeça vão
modificar a taxa na qual a outra pessoa fala, quase
sempre dando maior velocidade à fala, enquanto
que assentimentos triplos ou lentos e solitários
frequentemente interrompem totalmente o fluxo, confundindo
o falante em sua trajetória. Então, se
você quiser demonstrar interesse e manter seu
parceiro falando com você, use apenas assentimentos
únicos e breves. Você também pode
investigar se há gestos que indicam ansiedade
e nervosismo, como esfregar as mãos uma na outra
ou esfregar as palmas das mãos. Como regra geral,
gestos de ansiedade são dirigidos para o próprio
corpo ansioso da pessoa (são conhecidos como
"movimentos proximais"), enquanto movimentos
"distais", dirigidos para longe do corpo,
são sinais de confiança. Ao mesmo tempo
que procura estes sinais em seu parceiro, você
pode controlar a impressão que está dando
utilizando gestos mais confiantes, "distais".
Quanto
à postura, maiores envolvimento e harmonia são
obtidos quando os gestos são sincronizados -
quando os movimentos de um são ecoados ou refletidos
pelo outro. Você pode ter notado que isto tende
a acontecer naturalmente entre pessoas que se gostam
e se dão bem juntas. Observe pares de namorados
em um bar ou num pub, e você verá que quase
sempre eles tendem a levantar suas bebidas e tomar um
gole ao mesmo tempo, e que muitos de seus outros movimentos
e gestos estarão similarmente sincronizados.
Os psicólogos chamam isto de "sincronia
interacional" ou de "dança gestual",
e alguns dos resultados de suas pesquisas indicam que
o timing dos gestos combinados pode ser preciso dentro
de frações de segundo. Apesar desta sincronização
acontecer normalmente sem esforço consciente,
você pode usá-la como uma técnica
altamente eficiente de paquera. Se você sentir
que agora a conversa não está fluindo
livremente, ou que você e seu parceiro parecem
estar desconfortáveis um com o outro, tente ser
mais sensível aos padrões dos gestos dele/dela
e de seus movimentos corporais, e reflita os mesmos
em sua linguagem corporal.
Se
seu parceiro começar espontaneamente a sincronizar
sua (dele) linguagem corporal com a sua, isto é
sinal de que ele/ela se sente confortável com
você. Os homens não devem supor que isto
necessariamente indica interesse sexual, entretanto.
As mulheres podem evitar criar esta impressão
reduzindo a sincronização, adotando uma
postura mais "fechada" e evitando o uso de
gestos que sejam especificamente associados ao comportamento
de paquera. Nos experimentos, ajeitar os cabelos e sacudir
a cabeça estavam entre os gestos (sem contato)
mais frequentemente vistos como de flerte, juntamente
com repetidas cruzadas de pernas e movimentos projetados
para chamar a atenção para os seios.
Expressão
facial
Uma habilidade para "ler" e interpretar as
expressões faciais de seu companheiro vão
melhorar suas chances de uma paquera bem sucedida, assim
como a consciência do que você está
sinalizando com suas próprias expressões.
Algumas expressões podem ser efetivas mesmo à
distância, como no encontro com um estranho "no
meio de um lugar cheio de gente". O "flash
da sobrancelha", poe exemplo, que envolve levantar
as sobrancelhas bem rapidamente - por um sexto de segundo
- é usado quase que universalmente como um sinal
de cumprimento à longa distância. Quando
você vê alguém que você conhece,
mas vocês não estão tão próximos
que dê para conversar, o flash de sobrancelha
mostra que você notou e reconheceu. Todos nós
usamos este "Alô" não-verbal
em situações onde não podemos usar
o equivalente verbal, seja por causa da distância
ou por causa de convenções sociais. Veja
um vídeo do casamento de Andrew e Fergie (NT
- o filho da rainha Elizabeth II e Sarah Ferguson),
por exemplo, e você verá que Fergie executa
frequentes flashes de sobrancelha enquanto caminha pela
aléia da igreja. A etiqueta social não
permite que uma noiva envie alegres cumprimentos para
suas amigas e seus conhecidos durante a cerimônia,
mas a altamente sociável Fergie claramente é
incapaz de refrear a sinalização dos mesmos
cumprimentos com suas sobrancelhas.
Se
você está desesperada para atrair a atenção
de um atraente estranho no meio de uma festa cheia,
você pode tentar um flash de sobrancelha. Isto
pode fazer seu parceiro pensar que você é
uma amiga ou conhecida, apesar de não reconhecê-la.
Quando você se aproximar, seu parceiro já
pode estar imaginando quem é você. Você
pode, se tiver habilidade, usar esta confusão
para iniciar uma divertida discussão sobre onde
vocês se encontraram antes. Estas conversas inevitavelmente
se concentram sobre possíveis interesses compartilhados
ou amigos e hábitos, e invariavelmente envolvem
a mútua revelação de pelo menos
algumas informações pessoais. Como você
aprenderá na seção "Paquera
verbal" deste Guia, existem ingredientes essenciais
para a paquera bem sucedida. Então, supondo que
seu alvo a considere atraente, um flash de sobrancelha
com um acompanhamento apropriado pode levá-la
em um pulo para uma intimidade instantânea.
Dois
avisos são necessários aqui: (1) se seu
alvo não achá-la atraente, a estratégia
do flash de sobrancelha pode dar para trás, assim
como a confusão sobre se vocês já
se encontraram antes ou não será experimentada
como chata e desagradável, mais do que divertida;
(2) não use o flash de sobrancelha no Japão,
onde ele tem conotações definitivamente
sexuais e portanto nunca é usado como um sinal
de cumprimento.
Se
seu alvo estiver atraído por você, isto
pode ficar mais evidente nas expressões faciais
do que em palavras. Estudos descobriram que as mulheres
geralmente são melhores do que os homens em ler
estas expressões, mas que ambos os sexos têm
igual dificulade em ver através das expressões
das pessoas quando elas estão controlando seus
rostos para esconder seus reais sentimetos. O problema
é que apesar dos rostos expressarem sentimentos
genuínos, qualquer expressão facial que
ocorra naturalmente também pode ser produzida
artificialmente para um propósito social. Sorrisos
e caras fechadas, para tomar os exemplos mais óbvios,
podem ser expressões espontâneas de felicidade
ou de raiva, mas também podem ser manufaturados
como sinais deliberados, como a cara fechada para indicar
dúvida ou desprazer, e o sorriso para sinalizar
aprovação ou concordância, etc.
Os sentimentos também podem ser ocultados por
baixo de um sorriso "social", um lábio
superior alçado, ou uma expressão "inescrutável".
A
despeito deste potencial para o "engano",
nós nos baseamos mais em expressões faciais
do que em qualquer outro aspecto da linguagem corporal.
Na conversação, nós olhamos mais
para os rostos de nossos companheiros do que para suas
mãos e pés, e confiamos que seus sinais
faciais estão nos dizendo o que estamos obtendo
efetivamente, e como interpretar o que dizem. Apesar
das pessoas serem melhores no controle de suas expressões
faciais do que em outros aspectos de sua linguagem corporal,
ainda assim haverá algum "vazamento",
e os indícios a seguir ajudarão a detetar
certa insinceridade.
Digamos
que seu alvo sorri para você. Como você
sabe se este sorriso é espontâneo ou manufaturado?
Há quatro maneiras de saber a diferença.
Primeira, os sorrisos espontâneos produzem ruguinhas
características em torno dos olhos, que não
aparecerão se seu alvo estiver "forçando"
um sorriso por educação. Segunda, os sorrisos
"forçados" ou "sociais" tendem
a ser assimétricos (mais acentuados no lado esquerdo
do rosto em pessoas destras e no lado direito do rosto
em pessoas canhotas). A terceira indicação
de falta de sinceridade é o tempo do sorriso:
sorrisos não-espontâneos tendem a ocorrer
em momentos socialmente inapropriados da conversa (por
exemplo, alguns segundos depois que você disse
algo engraçado, e não imediatamente).
Finalmente, há um indício quanto à
duração do sorriso, já que o sorriso
manufaturado tende a ser mantido por mais tempo (o que
é quase sempre chamado de "sorriso fixo"),
e tende a desaparecer de maneira irregular.
Quando
observar as expressões faciais de seu alvo, é
importante lembrar-se que apesar de um rosto expressivo
- que demonstra divertimento, surpresa, concordância,
etc. nos momentos apropriados - poder indicar que seu
alvo retorna seu interesse, as pessoas diferem naturalmente
seu grau e estilo de expressão emocional. As
mulheres naturalmente tendem a sorrir mais do que os
homens, por exemplo, e mostrar as emoções
mais claramente em suas expressões faciais.
Você
também pode interpretar as expressões
de maneira diferente dependendo de quem as está
fazendo. Experimentos mostraram que as pessoas podem
ler a mesma expressão como "medo" quando
a vêem no rosto de uma mulher, mas como "raiva",
se no rosto de um homem. Existem também diferenças
culturais e mesmo regionais na quantidade de emoção
que as pessoas expressam com seus rostos. As pessoas
orientais mais provavelmente do que as ocidentais escondem
suas emoções debaixo de uma expressão
ou de um sorriso "vazio", por exemplo, e pesquisadores
americanos descobriram que nos Estados Unidos as pessoas
do norte sorriem menos do que as do sul.
Se
um estranho atraente sorri para você, pode ser
que ele ou ela ache você atraente, mas ele ou
ela pode ser uma pessoa sociável vinda de uma
cultura ou região onde o sorriso é uma
coisa comum e não é particularmente significativo.
Estes fatores também devem ser levados em consideração
quando você considerar os efeitos de sua própria
expressão facial. As pessoas tendem a ficar sem
jeito com níveis de expressividade que forem
consideravelmente maiores ou menores do que aqueles
a que estão acostumadas, então pode ser
útil tentar "combinar" a quantidade
de emoção que você expressa em seu
rosto com aquela do rosto de seu alvo.
Como
regra geral, entretanto, seu rosto deve ser constantemente
informativo durante uma conversação de
flerte. A ausência de expressão - um rosto
vazio, imutável - será interpretada como
falta de interesse quando você estiver ouvindo,
e uma ausência de ênfase facial quando você
estiver falando será perturbadora e deixará
a pessoa sem jeito. Você precisa demonstrar interesse
e compreensão quando estiver escutando, e promover
interesse e compreensão quando estiver falando,
através de sinais faciais como sobrancelhas levantadas
para demonstrar surpresa, como se fosse um ponto de
interrogação ou como ênfase; os
cantos da boca virando para cima como se houvesse diversão,
assentimento com a cabeça para indicar concordância;
cara fechada para uma dúvida; sorriso para demonstrar
aprovação, ou para indicar que aquilo
que você está dizendo não deve ser
levado muito a sério, etc.
Felizmente
a maioria destes sinais faciais são habituais,
e não têm que ser conscientemente manufaturados,
mas um pouco de consciência sobre suas expressões
faciais pode ajudar a monitorar o efeito delas e fazer
pequenos ajustes para deixar seu alvo mais à
vontade, por exemplo, ou garantir a atenção
dele/dela, ou aumentar o nível de intimidade.
Finalmente, lembre-se de que é improvável
que seu alvo esteja observando você à procura
de pequenos sinais de insinceridade, de modo que um
sorriso "social" será infinitamente
mais atraente do que nenhum sorriso.
Toque
O toque é uma poderosa, complexa e sutil forma
de comunicação. Em situações
sociais, a linguagem do toque pode ser usada para se
transmitir uma notável variedade de mensagens.
Diferentes toques podem ser usados para expressar concordância,
afeto, afiliação, ou atração;
para oferecer apoio; para enfatizar uma questão;
para chamar a atenção ou pedir participação;
para cumprimentar, para congratular, para estabelecer
ou reforçar relações de poder e
para negociar níveis de intimidade. Mesmo o toque
mais passageiro pode ter uma influência dramática
sobre nossas percepções e nossos relacionamentos.
Experimentos mostraram que mesmo um leve e breve toque
no braço durante um rápido encontro social
entre estranhos pode ter efeitos positivos imediatos
e duradouros. Pedidos bem-educados de ajuda ou de orientação,
por exemplo, produziram muito mais resultados positivos
quando acompanhados por um toque no braço.
Quando
paquerar, portanto, é importante lembrar que
a linguagem do toque, se usada corretamente, pode ajudar
a melhorar o relacionamento, mas que o uso inapropriado
desta poderosa ferramenta pode arruinar suas chances
para sempre. Apesar de haver consideráveis diferenças
entre culturas nos níveis de toque que são
socialmente aceitáveis, e diferentes personalidades
recebem níveis bem diferentes de toque, podemos
fornecer algumas regras básicas para primeiros
encontros com estranhos do sexo oposto. A primeira regra,
para ambos os sexos, é: toque, mas seja cuidadoso.
As mulheres ficam muito menos confortáveis ao
serem tocadas por um estranho do sexo oposto do que
os homens, de modo que os homens devem tomar cuidado
para evitar quaisquer toques que possam parecer ameaçadores
ou por demais familiares. Os homens têm inclinação
de interpretar os gestos femininos de amizade como convites
sexuais, de modo que as mulheres igualmente devem evitar
transmitir sinais equivocados com toques por demais
familiares.
Isto
não quer dizer "não toque",
já que o toque apropriado vai trazer benefícios
positivos (sic), mas o toque deve inicialmente se restringir
a áreas e níveis universalmente aceitáveis.
Como regra geral, o braço é o lugar mais
seguro para se tocar um estranho do sexo oposto. (Os
tapinhas nas costas são igualmente não-sexuais,
mas frequentemente são percebidos como indulgência
ou superioridade). Um leve e breve toque no braço,
para chamar a atenção, expressar apoio
ou enfatizar uma questão, é provavelmente
bem aceito e melhora os sentimentos positivos de seu
parceiro com relação a você. Se
mesmo este dos mais inócuos toques produzir uma
reação negativa - como retirar o braço,
aumentando a distância, fazendo cara feia, virando-se
de costas, ou outras expressões de desprazer
ou de ansiedade - está na hora de você
desistir. A menos que seu companheiro seja excepcionalmente
tímido e reservado, reações negativas
a simples toques no braço provavelmente indicam
desafeto ou desconfiança.
Se
seu companheiro achá-lo agradável ou atraente,
um breve toque no braço deve ativar algum aumento
recíproco de intimidade. Isto pode não
ser tão óbvio como um retorno para seu
toque no braço, mas observe outros sinais positivos
de linguagem corporal, como um maior contato visual,
um chegar mais para perto, uma postura mais aberta ou
um eco postural, mais sorrisos, etc. Seu toque no braço
pode até mesmo ativar um aumento da intimidade
verbal, então escute com atenção
qualquer revelação de informações
pessoais, ou perguntas mais pessoais. Se você
vir ou ouvir sinais de reação positiva
ao seu toque no braço, você pode, após
um intervalo razoável, tentar outro toque no
braço, desta vez menos breve. Se isto resultar
num aumento maior da intimidade verbal e não-verbal
de seu companheiro, você pode pensar no próximo
estágio: um toque na mão.
Lembre-se
que um toque na mão, a menos que seja um aperto
de mãos convencional de chegada ou partida, é
muito mais pessoal do que um toque de braço.
Tocando a mão de seu companheiro, você
está abrindo negociações para um
grau maior de intimidade, de modo que entre manso e
de leve: uma pergunta, não uma ordem. Uma reação
negativa a seu toque de mão, tal como sinais
de desprazer ou de ansiedade mencionados acima, não
significa necessariamente que seu companheiro não
gosta de você, mas é uma indicação
clara de que sua tentativa de avançar para o
próximo nível de intimidade ou é
prematura ou não é bem-vinda. Uma reação
muito positiva, envolvendo um aumento significativo
de intimidade verbal e não-verbal, pode ser tomado
como permissão para tentar outro toque de mão
num momento apropriado.
Reações
altamemte positivas a um segundo toque de mão
- como uma tentativa clara e definida de chegar para
mais perto de você, um toque de braço e
de mão recíproco, juntamente com perguntas
significativamente mais pessoais, uma revelação
maior de informações pessoais e a expressão
de emoção - podem mesmo ser tomados como
permissão para prosseguir, com cautela, para
um nível superior de intimidade. Os próximos
estágios podem envolver um aperto na mão
ou segurar a mão dele/dela, repetidos umas duas
vezes antes de passar para um braço sobre os
ombros, ou talvez um breve toque de joelhos. (Os homens
devem notar, entretanto, que reações positivas
a quaisquer destes toques não podem ser tomadas
como permissão para apalpar a moça).
Você
terá notado que aconselhamos fazer cada toque
duas vezes antes de progredir para o próximo
nível. Isto se dá porque repetir o mesmo
toque, talvez com uma duração um pouco
maior, permite que você verifique se as reações
ainda são positivas, e que você não
estava enganado em sua avaliação de que
o toque era aceitável. A repetição
também diz a seu companheiro que o primeiro toque
não foi acidental ou inconsciente, que você
está conscientemente negociando por um aumento
de intimidade. Repetir o mesmo toque antes de passar
para o próximo nível é uma maneira
não-verbal de dizer "Você tem certeza?"
Sinais
vocais
Você
pode se surpreender ao ver este título na seção
"Paquera não-verbal", mas "verbal"
significa "palavras", e sinais vocais como
tom de voz, altura, volume, velocidade de fala, etc.,
são como linguagem de sinais, porque não
se tratam do que você diz, das palavras que usa,
mas de como você diz. Nós notamos no princípio
desta seção "não-verbal"
que as primeiras impressões das pessoas são
baseadas 55% em sua aparência e linguagem corporal,
38% em seu estilo de falar, e apenas 7% naquilo que
você realmente diz. Em outras palavras, a linguagem
corporal pode ser a sua mais importante "ferramenta
de paquera", mas os sinais vocais vêm num
segundo lugar muito próximo. Quanto mais você
pensar nos 38%, mais preocupado você ficará
em assegurar que seus sinais vocais passem a melhor
impressão possível. Uma habilidade em
"ler" os sinais vocais da pessoa que você
está paquerando também ajudará
a descobrir como ele ou ela se sente com relação
a você.
Atração
e interesse, por exemplo, são comunicados muito
mais pelo tom de voz do que pelo que realmente é
dito. Dependendo do tom, do volume, da velocidade e
da altura, mesmo uma simples frase como "Boa noite"
pode transmitir qualquer coisa desde "Uau, você
está maravilhosa" até "Eu acho
você totalmente desinteressante e estou procurando
uma desculpa para me afastar de você o mais rápido
possível". Se o seu alvo lhe der um "Boa
noite" em tom profundo, a pouca altura, lento,
arrastado, com uma pequena entonação ascendente
ao final, como se fizesse uma pergunta, isto é
provavelmente um indício de atração,
ou pelo menos de interesse. Se você receber um
"Boa noite" rápido, em tom elevado
e sem hesitação, ou em uma versão
monótona e sem expressão, seu alvo provavelmente
não está interessado em você.
Uma
vez que vocês estiverem conversando, lembre-se
de que a entonação de apenas uma palavra
pode comunicar uma diversidade imensa de emoções
e significados. Como um experimento, tente praticar
variações em sua entonação
da resposta de uma palavra, "É", e
você verá que você pode comunicar
qualquer coisa desde uma concordância entusiasmada
até uma aceitação relutante a diversos
graus de ceticismo, até a total descrença.
Se você falar em um tom de voz monótono,
com pouca variação de altura ou velocidade,
perceberão você como um chato, mesmo se
aquilo que você estiver dizendo for verdadeiramete
fascinante ou excepcionalmente divertido. Um volume
alto, um tom trovejante e muita variação
de altura o farão parecer dominador. Fale muito
baixo ou muito lentamente, e você parecerá
submisso ou mesmo deprimido. Procure moderação
no volume no tom, com variação suficiente
na altura e na velocidade, para assegurar o interesse
de seu companheiro.
Lembre-se
também que uma entonação ascendente
ou descendente, especialmente quando acompanhada por
uma baixa de volume, é um "indício
de passar-a-vez", através do qual os falantes
sinalizam que acabaram de falar o que estavam dizendo
e estão prontos para escutar a outra pessoa.
Quando você ouvir estes sinais vocais, seu parceiro
provavelmente está indicando que é sua
vez de falar. Quando seu parceiro ouvir estes sinais,
ele ou ela pode muito bem supor que você está
"cedendo terreno". Se você frequentemente
terminar sus frases com uma entonação
ascendente ou descendente, com uma queda de volume,
e então prosseguir sem deixar seu parceiro falar,
ele ou ela ficará frustrado(a). Tomar a vez quando
seu parceiro não deu qualquer "indício
de passar-a-vez", mesmo se ele ou ela tiver terminado
uma frase, será percebido como iuma interrupção,
sendo igualmentre irritante.
A
paquera verbal
Apesar das impressões iniciais que seu parceiro
tiver de você dependerem mais de sua aparência,
da linguagem corporal e da voz do que daquilo que você
estiver realmente dizendo, a paquera bem-sucedida também
exige boas habilidades de conversação.
A "arte" da paquera verbal é realmente
apenas uma questão de saber as regras de conversação,
as leis não escritas de etiqueta que comandam
falar e escutar. A melhor e mais agradável conversação
pode parecer inteiramente espontânea, mas as pessoas
envolvidas ainda estão obedecendo regras. A diferença
é que elas estão seguindo as regras automaticamente,
sem uma tentativa consciente, assim como os motoristas
habilidosos e experimentados não têm que
pensar ao trocar as marchas. Mas entender como funcionam
as regras de conversação - aprender quando
e como trocar as marchas - vai ajudá-lo a conversar
com mais fluência, e paquerar com mais sucesso.
Estudos
mostraram que as mulheres tendem a ser mais habilidosas
na conversação social informal do que
os homens, tanto porque são socialmente mais
sensíveis como porque têm melhores habilidades
verbais/comunicativas. (Os homens compensam isso com
habilidades visuais/espaciais superiores, mas estas
não ajudam muito na paquera verbal). Os homens,
é claro, podem aprender facilmente a ser habilidosos
na arte da conversação como as mulheres
- é só uma questão de seguir umas
poucas regras simples - mas alguns não se dão
ao trabalho de aprender, ou podem não ter consciência
de suas deficiências nesta área. Aqueles
homens que se dão ao trabalho de aprimorar suas
habilidades de conversação (talvez lendo
este Guia) têm uma definitiva vantagem nas apostas
das paqueras.
A
conversa de abertura
Quando o alvo da paquera aparece, a maioria das pessoas
parece ficar obsecada com a questão de "abertura
da conversa" ou de "assuntos de conversa".
Os homens falam sobre assuntos que funcionam e assuntos
que fracassam; as mulheres riem do uso masculino de
conversas de abertura esquisitas ou triviais, e todos
nós, admitamos ou não, gostaríamos
de encontrar a maneira perfeita, original e criativa
de iniciar uma conversa com alguém que achamos
atraente. A resposta, talvez surpreendentemente, é
que nossa conversa de abertura não é realmente
importante, e toda essa procura por originalidade e
graça é um esforço desperdiçado.
O fato é que as "aberturas" de conversação
raramente são originais, espirituosas ou elegantes,
e ninguém espera que sejam. As melhores aberturas,
simplesmente, são aquelas que possam ser reconhecidas
como "aberturas", tentativas de se iniciar
uma conversa.
O
tradicional comentário britânico sobre
o tempo ("Dia agradável, não é
mesmo?" ou "Nem parece o verão, não
é mesmo?") faz bem seu papel, já
que todos sabem que se trata de um iniciador de conversas.
O fato de que estes comentários são fraseados
como perguntas, ou com uma entonação "interrogativa"
ascendente, não quer dizer que o falante esteja
inseguro sobre a qualidade do tempo e precise de confirmação:
significa que o falante está convidando uma resposta,
a fim de se iniciar uma conversação. Na
Inglaterra (NT - onde este Guia foi elaborado) entende-se
universalmente que estes comentários sobre o
tempo nada têm a ver com a meteorologia, e são
universalmente aceitos como inícios de conversa.
Dizer "Lindo dia, não é mesmo?"
(ou seu equivalente para um dia chuvoso) é a
maneira inglesa de dizer "Gostaria de falar com
você; você conversa comigo?" Uma resposta
amigável, incluindo uma linguagem corporal positiva,
significa "Sim, eu converso com você";
uma resposta monossilábica (acompanhada por uma
linguagem corporal que assinale falta de interesse)
significa "Não, eu não quero conversar
com você", e nenhuma resposta acompanhada
de uma linguagem corporal sinalizando chateação
ou desgosto significa "Cala a boca e vai embora".
Se
você estiver em ambiente interior - digamos em
uma festa ou em um bar - e não houver janela
por perto, algum comentário igualmente inócuo
sobre o ambiente ("Muita gente aqui, não
é mesmo?", "Está meio chato
aqui hoje, não é mesmo?") ou sobre
a comida, a música, a bebida, etc., servirá
ao mesmo propósito que o convencional comentário
sobre o tempo. As palavras são realmente pouco
importantes, e não há necessidade de procurar
ser espirituoso ou divertido: apenas faça um
comentário vago e impessoal, fraseado como uma
pergunta ou com uma entonação ascendente,
como se estivesse fazendo uma pergunta. Esta fórmula
- o comentário impessoal interrogativo - foi
desenvolvida como um método padronizado de se
iniciar uma conversa com estranhos por ser extremamente
eficaz. A natureza impessoal do comentário não
é ameaçadora ou intrusiva; o tom interrogativo
ou o final "não é mesmo?" convida
uma resposta, mas não é exigente como
uma pergunta direta ou aberta.
Há
uma grande diferença entre um comentário
interrogativo como "Tempo horrível, não
é mesmo?" e uma pergunta direta e aberta
como "O que você acha desse tempo?"
A pergunta direta exige e requer uma resposta, e o comentário
interrogativo permite que a pessoa responda minimamente,
ou nem responda, se ele ou ela não quiser falar
com você. Em alguns contextos sociais - como aqueles
que envolvem esportes, hobbies, aprendizagem, negócios
ou outras atividades específicas - a suposição
de interesses compartilhados torna o início da
conversa muito mais fácil, já que sua
frase de abertura pode se referir a algum aspecto da
atividade em questão. Em contextos assim pode
haver até um procedimento ritual de aproximação
a ser seguido quando se inicia uma conversa com um estranho.
Nas corridas, por exemplo, qualquer um pode perguntar
a qualquer um "Qual é a dica para o próximo
páreo?" ou "Quem vai ganhar no de três
e meia?", uma abertura ritual que efetivamente
elimina toda a estranheza habitual de se aproximar de
um estranho.
A
menos que o contexto em que você está forneça
um ritual conveniente desses, use a fórmula do
CII (Comentário Interrogativo Impessoal). Esta
fórmula pode ser adaptada a quase todas as situações
e ocasiões. Apenas faça um comentário
geral e impessoal a respeito do evento, da atividade,
das circunstâncias ou do ambiente, com um tipo
de final em entonação ascendente ou com
um "não é mesmo?" Seu alvo vai
reconhecer isto como o início de uma conversa
e a resposta dele ou dela lhe dirá imediatamente
se você é ou não é bem-vindo.
É claro que existem graus de respostas positivas
ou negativas a um CII. Os elementos que você precisa
escutar são seu comprimento, sua personalização
ou seu questionamento. Como regra geral, quanto mais
longa a resposta, melhor. Se seu alvo responder a seu
comentário com uma réplica do mesmo comprimento
ou mais longa, este é um bom sinal. Uma resposta
personalizada, isto é, uma que inclua a palavra
"Eu" (como, por exemplo, em "Sim, eu
adoro este tempo") é ainda mais positiva.
Uma resposta personalizada terminando com uma pergunta
ou uma entonação interrogativa (ascendenbte)
(Como em "Eu pensei que esta tarde teríamos
um tempo bom, não é?") é ainda
melhor, e uma resposta personalizada que envolva uma
pergunta personalizada , isto é, que inclua as
palavras "eu" e "você", é
a mais positiva de todas.
Então,
se você disser "Bonito dia, não é
mesmo?" e seu alvo replicar "É, eu
estava ficando cansada de toda aquela chuva, você
também não estava?", você definitivamente
tem uma chance. Note que não há nada de
original, espirituoso ou esperto no intercâmbio
acima. Você pode até ficar inclinado a
considerar aquilo como polido, chato e insignificante.
De fato, grande parte das informações
sociais vitais foram trocadas. A abertura foi reconhecida
como um amigável convite para uma conversa, o
convite foi aceito, o alvo revelou alguma coisa sobre
ele/ela, expressou interesse em você, e até
sugeriu que vocês podem ter algo em comum! O maior
erro que as pessoas cometem nas frases de abertura é
começar a tentar uma paquera, mais do que simplesmente
tentar começar uma conversa. Se você considera
sua frase de abertura como o início de uma conversa,
mais do que o começo de uma paquera, use a fórmula
do CII e preste muita atenção na resposta
verbal e não-verbal. Não pode errar. Mesmo
se seu alvo não achar você atraente e recusar
seu convite para conversar, você evitará
ofender e evitará a humilhação
de uma rejeição direta.
A
vez de cada um
Uma vez que você iniciou uma conversa com seu
alvo escolhido, seu sucesso em passar uma impressão
favorável dependerá tanto de suas habilidades
sociais como do que você disser. Provavelmente
nós todos já encontramos uma pessoa que
seja articulada, espirituosa e divertida, mas que perde
amigos e aliena as pessoas monopolizando a conversa,
não deixando que os outros dêem uma palavra.
Você também já pode ter passado
pelo tipo silencioso e igualmente irritante que faz
você ter todo o "trabalho" da conversa
- aquele que nunca faz uma pergunta, nunca expressa
interesse e não se esforça para manter
a conversa fluindo.
O
que você tiver a dizer pode ser fascinante, e
você pode expressar isto com grande eloquência,
mas se você não percebeu as habilidades
sociais básicas envolvidas na passagem-da-vez
na conversa, você será considerado arrogante
e desagradável, e nem seu alvo nem qualquer outra
pessoa vão gostar de sua companhia. A regra básica
do quanto falar é muito simples: tente tornar
sua contribuição para a conversa mais
ou menos igual à de seu parceiro. A essência
de uma boa conversa, e de uma paquera bem-sucedida,
é a reciprocidade, o dar e receber, o compartilhamento,
o intercâmbio, com ambos os parceiros contribuindo
igualmente como falantes e ouvintes.
Obter
esta reciprocidade exige uma compreensão da etiqueta
da passagem-da-vez, saber quando é sua vez, assim
como e quando "ceder terreno" para seu parceiro.
Então, como saber quando é sua vez de
falar? As pausas não são necessariamente
um guia infalível - um estudo descobriu que a
extensão da pausa média durante a fala
era de 0,807 de segundo, enquanto que a pausa média
entre os falantes era mais curta, apenas 0,764 de segundo.
Em outras palavras, as pessoas claramente usavam outros
sinais que não a pausa para indicar que finalmente
tinham acabado de falar.
Em
seções anteriores deste Guia nós
descrevemos com detalhes os diversos sinais não-verbais
que as pessoas usam para mostrar que terminaram o que
estavam dizendo e que é sua vez de falar. Eles
incluem sinais de contato visual (lembre-se que as pessoas
olham mais para o outro lado quando estão falando,
por isto quando olharem de volta para você isto
quase sempre indica que é sua vez) e sinais vocais
como uma entonação ascendente ou descendente,
acompanhados de uma queda no volume. Isto pode ser acompanhado
por sinais verbais de passagem-da-vez tais como a finalização
da frase ou um sinal de retirada com expressões
sem significado como "você sabe". Como
regra geral, quanto mais estas indicações
de passagem-da-vez ocorrem simultaneamente, maior é
a probabilidade de que seu parceiro tenha terminado
e espera que você fale. Observar e escutar estes
indícios o ajudará a evitar interrupções,
e também a evitar hiatos bizarros e longas pausas
na conversa.
Falando
Este Guia claramente não pode lhe dizer exatamente
o que falar, que palavras usar, em uma conversa numa
paquera, mas é possível fornecer algumas
linhas gerais sobre o que falar e como você deve
se expressar, particularmente em termos de enganos e
armadilhas a evitar. A negatividade, por exemplo, é
um desmancha-prazeres de verdade. Se você falar
demais sobre o lado ruim das coisas, e reclamar constantemente
do mundo e dos seus problemas, seu parceiro logo vai
ficar chateado e de saco cheio. Outras características
que as pesquisas identificaram como particularmente
tediosas e chatas incluem auto-preocupação
(falar demais sobre você e demonstrar pequeno
interesse nos outros), banalidade (só falar sobre
coisas superficiais, repetindo piadas e histórias
já conhecidas de sobra), tédio (falar
muito devagar), passividade (não tomar parte
na conversa nem expressar opiniões), falta de
entusiasmo (falar monotamente, sem contato visual, expressando
pouca emoção), seriedade demais (usar
tom de voz e expressão sérios, mesmo quando
seu parceiro está tentando uma conversa mais
leve e divertida), e super-excitação (sair
do assunto facilmente, falar coisas demais sem significado,
usar muita gíria).
Os
elogios, por outros lado, são quase universalmente
bem-vindos, e não têm que ser espirituosos
ou originais. Em uma análise de 600 elogios feita
palavra-por-palavra (verbatim), os linguistas descobriram
que eles tendem a seguir uma formula já conhecida,
com a palavra nice ( NT - em inglês, significa
desde agradável, satisfatório, atraente,
até bom, belo, lindo, amável, gentil,
correto, etc.) ocorrendo em perto de 25% dos elogios
estudados, e a palavra "você" em quase
75% deles. Em outras palavras, você não
deve temer fazer elogios simples e sem floreios como
'Seu casaco é bonito" (That's a nice jacket),
ou "Esta cor fica muito bem em você"
(That colour really suits you), já que podem
ser bem eficientes. É claro que o uso excessivo
de elogios pode fazer com que você pareça
insinuante, e seu parceiro pode se chatear com tantas
amabilidades sufocantes, mas com relação
às maneiras através das quais você
pode chatear alguém, os estudos mostraram que
esta é a menos ofensiva.
Entretanto,
os homens deveriam evitar fazer elogios embaraçosos
ou potencialmente ofensivos às mulheres. Isto
não é uma questão de ser "politicamente
correto", mas de habilidades sociais básicas.
Alguns homens precisam aprender que é inteiramente
possível transmitir para uma amiga ou conhecida
que você a acha fisicamente atraente sem ser grosso
ou intrusivo. Um comentário admirativo simples,
como "Você está uma graça (ou
bonita, ou maravilhosa)" é o suficiente.
Qualquer coisa mais explícita só vai causar
embaraço e ofensa. A linguagem corporal também
deve ser correta: dirija o elogio para o rosto dela,
não para seu tórax, e sem "examiná-la",
o que os americanos chamam de "olhos de elevador"
(que ficam andando para cima e para baixo pelo corpo
dela).
O
timing é igualmente importante: há momentos,
lugares e situações onde qualquer comentário
sobre a aparência de uma mulher, por mais inocente
que seja, será inapropriado e potencialmente
ofensivo, . Não é possível listar
estas situações aqui, mas como regra geral
só comente sobre a aparência de uma mulher
(a) se você conhecê-la bem o suficiente
(este tipo de elogio não deve ser usado como
um início de conversa, mas apenas em um estágio
bem mais posterior da conversação da paquera),
e (b) em momentos, lugares e situações
nos quais a aparência for relevante - isto é,
onde seria aceitável fazer-se um comentário
sobre a aparência de um homem. Se a situação
não for uma daquelas nas quais você faria
um elogio a um homem conhecido sobre seu lindo casaco
ou corte de cabelo, não comente também
sobre a aparência de uma mulher.
Homens,
anotem: 80% das mulheres acham que são gordas
demais. Em uma pesquisa americana, perguntou-se às
mulheres quais as três ou quatro palavras que
elas mais gostariam de ouvir de um parceiro masculino.
A resposta mais comum não foi, como se esperava,
"Eu te amo", e sim "Você está
mais magra". Assim como você não deve
fazer qualquer comentário sobre a aparência
de uma mulher se não conhecê-la bem, este
elogio pode agradar uma namorada ou uma amiga íntima.
Ouvindo
Os bons ouvintes têm distinta vantagem nas apostas
da paqueração, mas ser um bom ouvinte
não é apenas calar a boca e deixar a pessoa
falar (apesar disso certamente ajudar). Ouvir bem é
essencialmente dar um bom "feedback", o que
envolve dar sinais tanto verbais como não-verbais
para demonstrar que (a) você está prestando
atenção, e (b) está interessado.
Os sinais eficazes de feedback não-verbal incluem
assentir com a cabeça, sorrir, expressões
faciais atentas e inclinar-se para frente, acompanhados
por uma linguagem corporal geral positiva, como uma
postura "aberta" e um eco postural/gestual.
Bons sinais de feedback verbal incluem o uso de expressões
como "hanhan", "é", "mmmm",
"ah", para demonstrar interesse ou concordância
e para encorajar a outra pessoa a continuar.
As
pesquisas mostraram que estes sinais básicos
de feedback são altamente eficazes em conseguir
amigos e influenciar pessoas. Eles podem até
resultar em recompensas concretas e tangíveis:
estudos descobriram que, por exemplo, candidatos que
dão este tipo de feedback durante entrevistas
para um emprego têm maiores chances de ter sucesso
do que aqueles que não dão. Mesmo alguns
balanços de cabeça pode aumentar significativamente
suas chances, tanto em entrevistas como numa conversa
de paquera. Outra técnica eficaz do bom ouvinte
é "parafrasear". Para mostrar que você
está prestando atenção e está
interessado, e para encorajar seu parceiro a dizer mais,
pode ajudar se você ocasionalmente reunir o que
seu parceiro descreveu, dizendo ""Nossa, e
você estava na estação sem nenhum
dinheiro! Como é que chegou casa?" Esta
paráfrase será particularmente útil
se seu parceiro for um pouco tímido, inseguro
ou ansioso, já que vai fazê-lo sentir-se
mais confiante.
Você
pode ter notado que a pergunta ao final do exemplo de
"paráfrase" era uma pergunta "aberta",
mais do que uma perguntra "fechada" que pediria
apenas um sim ou não como resposta. Se você
quiser encorajar seu parceiro a falar, tente fazer-lhe
mais perguntas abertas, como "De que tipo de comida
você gosta?", e não "Você
gosta de comida chinesa?" Se você não
tiver certeza da diferença, lembre-se que uma
pergunta aberta se inicia com uma das seguintes expressões:
Quem, O Que, Quando, Onde, Como, Por que. Os jornalistas
e os gerentes de recursos humanos aprendem a fazer perguntas
que comecem com estas palavras em entrevistas para encorajar
os candidatos ao emprego e as fontes a dar respostas
detalhadas, mas eles são igualmente eficientes
em conversação social informal - particularmente
na paquera!
Abertura
recíproca
Um dos aspectos mais importantes da paquera verbal é
o que os psicólogos chamam de "abertura
recíproca" - a troca de informações
pessoais. De fato, a menos que os parceiros revelem
pelo menos alguns detalhes pessoais, a conversa mal
pode ser chamada de paquera. Quando vocês se encontram
pela primeira vez, estes detalhes não precisam
ser particularmente íntimos: a revelação
de qualquer informação pessoal, mesmo
algo tão inocente como o fato de que a pessoa
gosta de tempo quente e de comida italiana, é
um movimento em direção à intimidade.
Se seu parceiro revelar algum detalhe desses você
deve ser recíproco assim que possível,
revelando algumas informações similares
sobre você mesmo, talvez "aumentando a aposta
inicial" um pouquinho ao fazer sua abertura um
pouco mais pessoal. Se seu parceiro gosta de você,
ele ou ela provavelmente vai tentar "combinar"
sua abertura com outra de valor similar. A abertura
recíproca deste modo é uma via muito mais
sutil e menos ameaçadora para a intimidade do
que fazer perguntas pessoais diretas.
A
chave para a paquera bem-sucedida é aumentar
o nível de intimidade gradualmente, sempre mantendo
um equilíbrio entre suas aberturas e as do parceiro.
Evite ir muito à frente revelando demais, ou
ficar para trás revelando muito pouco. As mulheres
devem ter consciência de que os homens tendem
a interpretar a abertura de informações
pessoais como um sinal de disponibilidade sexual, e
devem ser particularmente cuidadosas sobre o quanto
revelam.
Humor
O humor é uma poderosa arma da paquera. É
quase impossível paquerar com sucesso ou com
agrado sem ele, mas ainda assim ele pode dar errado
facilmente se você abusar dele ou usá-lo
mal. No lado positivo, os estudos mostraram que as pessoas
que usam o humor em encontros sociais são percebidas
como mais agradáveis, e que tanto a confiança
como a atração aumentam quando se usa
uma aproximação alegre. O uso judicioso
do humor pode reduzir a ansiedade e estabelecer um estado
de espírito relaxado que ajuda o relacionamento
a se desenvolver mais depressa. Um risco mais ou menos
calculado: uma piadinha pode ajudar a aumentar o nível
de intimidade numa conversa de paquera. No lado negativo,
o uso inapropriado do humor pode matar uma paquera promissora
para sempre em questão de segundos. Fazer uma
piadinha ou um comentário cedo demais, por exemplo,
antes que se estabeleça um grau razoável
de intimidade, é o equivalente verbal de um beliscão
na bunda. Os homens em geral mais provavelmente fazem
este tipo de erro fatal do que as mulheres. As mulheres,
entretanto, precisam ser ainda mais cautelosas em seu
uso do humor sexual, já que os homens têm
inclinação para interpretá-lo como
sinal de disponibilidade sexual.
Ao
mesmo tempo que é claramente importante evitar
ocasionar uma ofensa ou fazer sinais enganosos, o humor
é um elemento essencial da paquera. Por definição,
a paquera é uma forma alegre e leve de interação.
Um encontro em uma paquera pode eventualmente levar
a uma relação "séria"
de longo prazo, mas seriedade demais nos primeiros estágios
é desalentador. Mesmo a longo prazo, a capacidade
de uma brincadeira alegre é importante. Não
é acidental que tantas pessoas solteiras procurando
companhia através de anúncios pessoais
incluam "gsoh"(good sense of humour",
bom senso de humor) em suas exigências.
O
humor pode claramente reduzir a tensão e a estranheza
nos primeiros estágios do encontro de uma paquera.
Na seção sobre abertura de conversa nós
aconselhamos o uso de frases que sejam universalmente
reconhecidas como "inícios de conversação",
tais como comentários sobre o tempo. Um toque
de humor pode tornar estas aberturas de conversação
ainda mais eficazes. Não há necessidade
de tentativas elaboradas de espirituosidade: uma inversão
simples como "Lindo dia, não é mesmo?"
durante uma tempestade torrencial vai despertar um sorriso
se o seu alvo achá-lo atraente. (Se o seu alvo
não achá-lo atraente, esforços
mais elaborados não serão mais eficientes).
Uma vez que algum grau de atração mútua
tenha sido estabelecido, o uso do humor em conversas
da paquera tende a surgir naturalmente, já que
ambos os parceiros estão motivados para manter
seu alvo divertido e interessado. Nosso instinto natural
é tentar fazer a outra pessoa sorrir. Precisamos
de constante reafirmação de que o objeto
de nossa atração gosta de nós e
nos aprecia, e os sorrisos e as risadas provêem
tal reafirmação.
Uma
forma particular de humor, a provocação
de brincadeira, é particularmente comum em encontros
de paquera. Isto porque a provocação de
brincadeira permite que os parceiros aumentem o conteúdo
"pessoal" do intercâmbio, ao mesmo tempo
que mantêm o tom leve e brincalhão, aumentando
dessa maneira o nível de abertura e intimidade
de maneira não ameaçadora. Os homens respondem
particularmente bem a esta forma de humor, já
que ela se parece muito com as "falsas discussões"
e as trocas bem-humoradas de insultos que são
seu meio normal de expressar amizade entre eles. Os
erros mais comuns do uso do humor na paquera envolvem
extremos opostos. Os homens têm mais probabilidades
de abusar do humor ou de monopolizar o relato de piadas,
e deixam de notar que sua companheira está frustrada
ou chateada. As mulheres algumas vezes têm a tendência
de usar pouco humor - para adotar um tom sério
quando seu companheiro estaria mais confortável
diante de um papo leve. Há muitas exceções,
é claro: todos já conhecemos homens seríssimos
e mulheres jocosas, mas quase todos os estudos mostram
que geralmente as mulheres são mais cautelosas
em seu uso do humor, enquanto os homens são mais
inclinados a evitar a seriedade de uma conversa de coração
para coração.
Se
você acha que às vezes é culpado(a)
de uso excessivo ou inadequado do humor, observe cuidadosamente
seu companheiro atrás de sinais de chateação
ou de embaraço - como os pés se afastando
de você, sorrisos forçados, reduzido contato
visual, reduzidos sinais de atenção verbal,
inquietação, cruzar defensivamente os
braços, etc. Se você estiver exagerando
no humor, estes serão seus indícios para
diminuí-lo um pouco. Se você estiver sério(a)
demais, anime-se!
Despedida
Sua abordagem à despedida após uma conversa
de paquera é de importância crítica,
já que vai determinar seu futuro relacionamento
com seu companheiro. Muitos encontros de paquera são
naturalmenbte de curta duração - onde
se subentende que não há intenções
sérias, apenas um reconhecimento bom para o ego
de que há atração mútua.
Estes "breves encontros" leves são
parte normal da interação social, e só
os patéticos ou os desesperados poderiam imaginar
que cada conversa passageira de uma paquera é
o prelúdio para um matrimônio. A paquera
não seria, entretanto, uma característica
tão universal da interação humana
se ela não servisse ocasionalmente a algum propósito
de longo prazo - como sexo, reprodução,
sobrevivência da espécie, etc. Ao mesmo
tempo em que não há mal algum em praticar
nossas habilidades de paquera só de brincadeira,
haverá ocasiões em que desejaremos continuar
o relacionamento, e um alegre e despreocupado "Então,
até logo" ou "Foi legal te ver"
não vai ser o suficiente. Isto ocorre quando
palavras e gestos de despedida adquirem maior significado.
Todo
vendedor sabe que não há muita vantagem
em se estabelecer um grande relacionamento com potenciais
clientes, atraindo seu interesse, ganhando sua confiança,
e etc., se você não "fecha" -
"fechar" é a palavra em linguagem de
vendedor para "fazer a venda", assegurar o
contrato, fazer o cliente mostrar o dinheiro ou assinar
na linha pontilhada. O pessoal de vendas recebe treinamento
especial em "técnicas de fechar" para
ajudá-los a chegar neste importantíssimo
ideal. Da mesma maneira, se você estiver genuinamente
atraído pelo seu companheiro de paquera e quiser
vê-lo de novo nenhuma das dicas deste Guia terá
muita utilidade a menos que você seja capaz de
"fechar" eficazmente. Neste caso, sua meta
em "fechar" ' é assegurar não
um contrato ou uma venda, mas a chance de encontrá-lo
novamente.
Correndo
o risco da rejeição, este é o momento
quando você deve ser explícito quanto aos
seus desejos. Indicações sutís
e uma linguagem corporal positiva vão ajudar
a chegar até este ponto, e uma cuidadosa observação
das reações de seu parceiro lhe dirá
se seu "fechamento" vai ser bem-sucedido,
mas apenas estas técnicas não conseguem
um número de telefone ou um outro encontro! Você
tem que pedir. E a estratégia mais simples é
a pura honestidade. Você não tem que declarar
amor imorredouro, só perguntar: "Você
gostaria de nos encontramos semana que vem para tomar
alguma coisa?" (ou algo equivalente, sendo as palavras
exatas de pouca importância, mas deve ser um pedido
claro). Se começar o namoro ali mesmo pode parecer
esquisito ou inapropriado, diga alguma coisa como "Talvez
possamos nos encontrar outra vez - pode me dar seu número
de telefone?" Alguns "manuais de namoro"
americanos recomendam que você preceda este pedido
com uma afirmação como "Gostei muito
de conversar com você e gostaria de vê-la
denovo". Você pode fazer isto se quiser,
mas isto já estará implícito no
pedido por um encontro ou pelo número de telefone,
daí que será algo supérfluo.
Manuais
de namoro e artigos em revistas femininas também
insistem constantemente que hoje em dia é aceitável
que as mulheres tomem a iniciativa de pedir um encontro
a um homem. De fato, eles nunca se cansam de dizer,
os homens adoram quando as mulheres tomam a iniciativa.
Isto é verdade mesmo, e se você ler as
pesquisas científicas sobre o assunto você
vai descobrir porque. Os estudos e experimentos mostram
que os homens julgam as mulheres que tomam a iniciativa
de pedir um encontro como mais sexualmente disponíveis.
Para falar mais diretamente, se uma mulher pede o encontro,
eles acham que têm uma chance maior de "comer".
Naturalmente, ficam deliciados.
Se
você for uma mulher e quiser evitar dar esta impressão,
há uma solução simples. Ao invés
de pedir o número de telefone de seu parceiro,
ofereça o seu próprio. Diga algo como:
"Talvez possamos tomar alguma coisa outro dia?
Aqui está meu telefone". Isto deixa perfeitamente
claro que você está interessada nele, mas
ainda exige que o homem tome a iniciativa de pedir um
encontro.
É
claro que você é livre para recusar esta
sugestão como desesperadoramente antiquada, sexista,
que possa ter duplo-sentido, etc. Não é
assunto deste Guia fazer juízos morais sobre
a paquera, apenas fornecer informações
sobre as últimas descobertas científicas.
A paquera tem feito parte do comportamento humano por
milhares de anos, e aprove você ou não,
as últimas descobertas mostram que não
mudou muita coisa. Os homens sempre tenderam para uma
interpretação super-otimista dos sinais
femininos, e as mulheres sempre ajustaram seus sinais
para encorajar apenas os homens selecionados.
A
despeito da desaprovação dos puritanos
do século 17, dos moralistas vitorianos e de
seus equivalentes modernos, tanto nos campos da "maioria
moral" como do "politicamente correto",
estes instintos básicos de paquera persistem,
e a humanidade sobrevive.
Site
original:
www.sirc.org/publik/flirt.html
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