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Artigos Traduzidos >> O GUIA SIRC DA PAQUERA (INGLESA)


O GUIA SIRC DA PAQUERA (INGLESA)
Kate Fox

Tradução: Pedro Lourenço Gomes, em jumho de 2003.
SIRC: Social Issues Research Centre (Centro de Pesquisas de Questões Sociais)

Por que paqueramos?
A paquera é muito mais do que apenas um pouco de diversão: é um aspecto universal e essencial da interação humana. Pesquisas antropológicas mostram que a paquera é encontrada, de alguma forma, em todas as culturas e sociedades do mundo. Paquerar é um instinto básico, parte da natureza humana. Isto não é surpreendente: se não iniciássemos contato com e expressássemos interesse em membros do sexo oposto, não chegaríamos até a reprodução, e a espécie humana se tornaria extinta. De acordo com alguns psicólogos evolutivos, a paquera pode ser até a fundação da civilização como a conhecemos. Eles argumentam que o grande cérebro humano - nossa inteligência superior, nossa linguagem complexa, tudo o que nos distingue dos animais - é o equivalente da cauda do pavão: um dispositivo de cortejamento desenvolvido para atrair e reter parceiros sexuais. Nossas realizações em tudo, de arte a foguetes espaciais, pode ser meramente um efeito colateral da capacidade essencial de encantar.

Se a paquera é instintiva, por que precisamos deste Guia?
Como qualquer outra atividade humana, a paquera é governada por um complexo conjunto de leis não escritas de etiqueta. Estas são as regras que ditam onde, quando, com quem e de que maneira nós paqueramos. Em geral nós obedecemos estas leis não-oficiais instintivamente, sem ter consciência de que fazemos isto. Só nos tornamos conscientes das regras quando alguém comete uma quebra da etiqueta - paquerando a pessoa errada, talvez, ou em um tempo ou local não apropriado. Jogar uma conversa em cima de uma viúva no enterro de seu marido, por exemplo, no mínimo incorreria em desaprovação, senão angústia ou raiva.

Este é um exemplo muito óbvio, mas os aspectos mais sutís e complexos da etiqueta da paquera podem ser confusos - e a maioria de nós já cometeu alguns erros embaraçosos. As pesquisas mostram que os homens acham particularmente difícil interpretar alguns indícios mais sutís da linguagem corporal das mulheres, e tendem a confundir amizade com interesse sexual. Outro problema é que em algumas culturas bastante puritanas, como na Inglaterra e nos Estados Unidos, a paquera adquiriu má reputação. Alguns de nós ficaram tão preocupados em ofender ou enviar os sinais errados que estamos em perigo de perder nosso talento natural para uma paquera inócua e sem compromisso. Assim, para salvar a humanidade da extinção e preservar as fundações da civilização, a Martini comissionou Kate Fox, do Social Issues Research Centre, para revisar e analisar todo o material de pesquisa científica sobre a interação entre os sexos, e produzir um guia definitivo da arte e da etiqueta da diversão da paquera.

Os psicólogos e cientistas sociais passaram muitos anos estudando cada detalhe do relacionamento social entre os homens e as mulheres. Até hoje, suas descobertas fascinantes estiveram enterradas em obscuras publicações acadêmicas e pesados livros cheios de jargão e de notas de rodapé. Este Guia é o primeiro a revelar estas importantes informações para uma platéia popular, fornecendo aconselhamento profissional sobre onde paquerar, quem paquerar, e como fazê-lo.

Festas
A paquera é mais socialmente aceitável em festas, celebrações e funções/ocasiões sociais. Em alguns destes eventos (por exemplo, festas de Natal, de Ano Novo) um certo grau de comportamento paquerante não só é socialmente admissível como é quase esperado. Isto ocorre porque a maioria das festas, celebrações, carnavais e festivais são governados por um código especial de comportamento que os antropólogos chamam de "remissão cultural" - um relaxamento temporário e estruturado dos controles e restrições sociais normais.

Isto pode parecer uma maneira exótica de dizer "bota prá quebrar", mas não é. A "remissão cultural" não significa abandonar todas as suas inibições, ir em frente e se comportar exatamente da maneira que desejar. Existem regras de comportamento mesmo no carnaval mais selvagem - apesar de envolverem uma reversão completa da etiqueta social e cotidiana. O comportamento da paquera que normalmente é mal visto, pode ser ativamente requerido, e uma recusa pretensiosa em participar pode incorrer em desaprovação.

Lugares onde se bebe
A paquera também é socialmente aceitável em alguns lugares públicos, usualmente onde se serve álcool - como bares, pubs, clubes noturnos, discotecas, bares de vinhos, restaurantes, etc. Uma pesquisa demonstrou que 27% dos casais ingleses encontraram pela primeira vez seu atual companheiro em um pub, e o álcool foi votado como a ajuda mais eficaz para a paquera por pesquisados do Levantamento Martini sobre a Paquera. Mas a paquera em lugares onde se bebe, entretanto, está sujeita a mais condições e restrições do que em festas. Nos pubs, por exemplo, a área em volta do balcão é universalmente entendida como sendo a "zona pública" onde iniciar-se uma conversa com um estranho é aceitável, ao passo que sentar-se em uma mesa usualmente indica um desejo maior de privacidade. As mesas que ficam mais longe do balcão do bar são as zonas mais "particulares".

Como norma prática ou empírica, os estabelecimentos ou "zonas" mais orientados para a alimentação tendem a desencorajar o flerte entre estranhos, enquanto aqueles dedicados a se beber e a se dançar levam mais a oportunidades de flerte entre parceiros já estabelecidos.

Locais de ensino
Escolas, faculdades, universidades e outros estabelecimentos educacionais são viveiros de paqueras. Isto ocorre principalmente porque estão cheios de pessoas jovens e solteiras que estão fazendo suas primeiras tentativas de seleção de um companheiro. (NT - para não complicar a tradução, os nomes vão às vezes no masculino e às vezes no feminino, mas os leitores estão sabendo que o texto vale para todos e todas). Os locais de ensino são também particularmente conducentes à paquera porque os estudantes compartilham preocupações e estilos de vida e há uma atmosfera informal, tornando fácil para eles iniciar conversas entre si. Simplesmente por serem estudantes os parceiros de paquera automaticamente têm muito em comum, e não precisam lutar para encontrar assuntos de interesse mútuo.

A paquera é oficialmente um pouco mais restrita em locais de ensino do que em locais onde se bebe, já que a educação supostamente tem prioridade sobre preocupações puramente sociais, mas em muitos casos a diferença pode não ser muito notável. Fazer um curso ou ter aulas noturnas, de fato, pode fornecer mais oportunidades para uma paquera relaxada e divertida do que frequentar bares e clubes noturnos.

Local de trabalho
No trabalho, a paquera é usualmente aceitável apenas em certas áreas, com certas pessoas, e em horas e ocasiões específicas. Não há leis universais: cada local ou ambiente de trabalho tem sua própria etiqueta não escrita que governa o comportamento da paquera. Em algumas empresas a máquina de café ou a cafeteria pode ser a "zona designada de paquera" não oficial, e outras empresas podem fazer cara feia para a paquera durante o expediente, ou entre gerentes e seu pessoal, enquanto algumas têm uma duradoura tradição de cumprimentos matinais divertidamente fundados na paquera. A observação cuidadosa dos colegas é a melhor maneira de se descobrir a silenciosa etiqueta de paquera do seu local de trabalho - mas certifique-se de que você está se guiando pelo comportamento dos indivíduos tidos na mais alta conta dentro da empresa, e não no "palhaço", no "paquerador" ou na "piranha".

Esportes/Hobbies de participantes
Quase todo esporte ou hobby com participantes envolve paquera. O nível de comportamento de paquera, entretanto, frequentemente tende a ser inversamente relacionado aos padrões obtidos pelos participantes e seu entusiasmo pela atividade. Em geral você vai ver bastante paquera entre jogadores incompetentes de tênis, nadadores inadequados, oleiros de mão ruim, etc., mas um pouco menos (paquera) entre participantes competitivos sérios e competentes nas mesmas atividades. É claro que existem exceções a esta regra, mas antes de entrar para uma equipe ou um clube vale a pena verificar se os membros têm grandes ambições de jogar em campeonatos nacionais ou de ganhar prêmios de prestígio por sua atuação. Se você está procurando principalmente por oportunidades de paquerar, evite estes grupos de alto nível e procure clubes cheios de incompetentes felizes e sociáveis.

A mais notável exceção a esta regra é a corrida de cavalos, onde toda a "ação" ocorre em apenas alguns minutos, o intervalo de meia hora entre as corridas é dedicado à sociabilidade, e a interação amigável entre estranhos é ativamente encorajada pela etiqueta das pistas de corrida. De fato, nossas próprias pesquisas recentes sobre o comportamento de frequentadores de corridas indica que o "microclima social" da pista de corrida a torna um dos melhores ambientes de paquera da Inglaterra.

COM QUEM FLERTAR

Paquerando por diversão
Em certo nível, você pode paquerar mais ou menos qualquer pessoa. Uma troca de olhares de admiração ou um pouco de papo leve de paquera podem iluminar o dia, aumentar a auto-estima e fortalecer os laços sociais. Nesse nível a paquera é inofensivamente divertida, e apenas os mais empedernidos estraga-prazeres poderiam fazer alguma objeção. Claramente, faz sentido exercer algum grau de precaução com pessoas que sejam casadas ou já estejam relacionadas. A maioria das pessoas de relações de longo prazo podem lidar com um pouco de admiração, e podem até se beneficiar por saberem que as acham atraentes, ou que ela acha seus parceiros atraentes, mas os casais diferem quanto à tolerância ao comportamento da paquera, e é importante estar alerta para sinais de desconforto ou tensão.

As pesquisas também mostraram que os homens têm uma tendência em confundir comportamento amigável com paquera sexual. Isto não ocorre porque sejam estúpidos ou iludidos, mas porque tendem a ver o mundo em termos mais sexuais do que as mulheres. Existem também evidências que sugerem que as mulheres são naturalmente mais sociavelmente hábeis do que os homens, são melhores ao interpretar o comportamento das pessoas e responder apropriadamente. De fato, cientistas afirmaram recentemente que as mulheres têm uma "diplomacia" especial que falta aos homens. Isto significa que as mulheres têm que ser particularmente cuidadosas, para evitarem o envio de sinais ambíguos na interação com homens casados, e os homens precisam estar conscientes de que os homens casados/relacionados podem interpretar mal um comportamento amigável com suas esposas/namoradas. Por outro lado, a paquera sem compromisso é tanto inofensiva como divertida.

Paquerando de propósito
Mas paquerar também é um elemento essencial do processo de seleção do companheiro, e quando você estä "paquerando de propósito", mais do que "paquerando por diversão", você precisa ser um pouco mais seletivo sobre seu alvo escolhido. Na paquera de seleção de companheiro há duas regras básicas sobre quem paquerar que vão aumentar suas chances de sucesso e reduzir a possibilidade de rejeições embaraçosas.

1. Inicie a paquera com pessoas mais ou menos tão atraentes quanto você. Isto vai lhe dar uma melhor chance de compatibilidade. A maioria dos casamentos bem-sucedidos e relações de longo-prazo são entre parceiros com boa aparência mais ou menos igual. Existe alguma margem, é claro, e outras qualidades também são importantes, mas estatisticamente os relacionamentos onde uma das pessoas é muito mais atraente do que a outra tendem a ser menos bem-sucedidos. Estudos mostraram que quanto mais parecidos os parceiros forem quanto à atratividade, mais provavelmente ficarão juntos.

Mas avaliar sua própria atratividade pode ser difícil. As pesquisas mostram que muitas mulheres têm uma imagem corporal pobre, e quase sempre subestimam sua atratividade. Alguns estudos recentes indicam, por exemplo, que até 80% das mulheres adultas acreditam que são gordas demais, e tentam chegar a um figurino pelo menos dois pontos abaixo do figurino que os homens acham mais atraente. Se você for mulher, as chances são de que você é mais atraente do que pensa, então tente flertar com homens mais bonitos.

Os homens geralmente tendem a ser menos críticos sobre sua própria aparência física do que as mulheres. Iso ocorre parcialmente porque os padrões de beleza para homens são muito menos rígidos do que para mulheres, e uma variedade mais ampla de formas e características são consideradas atraentes. Mas deve ser dito que alguns homens também têm inclinação para subestimar sua atratividade. Se você for um homem mais honesto, e não se considerar atraente, lembre-se de que a maioria dos homens não têm proficiência nas sutilezas da interação social, de modo que polir suas habilidades de paquerar podem lhe dar alguma vantagem sobre um rival mais atraente.

2. Não paquere pessoas que provavelmente não vão retornar seu interesse. Mesmo se você não estiver procurando por um companheiro de longo prazo, você vai gostar mais de paquerar alguém que esteja interessado em você. Desse modo, faz sentido abordar pessoas que o verão pelo menos como um possível parceiro, mais do que aquelas pessoas que provavelmente vão descartá-lo como inadequado.

A evolução favoreceu os homens que selecionam companheiras jovens e atraentes, e mulheres que selecionam parceiros com poder, riqueza e status (posição). Os homens então, naturalmente, tendem a procurar mulheres que sejam mais jovens do que eles e colocam maior ênfase na beleza física, enquanto que as mulheres mais provavelmente favorecem homens com melhor posição e potencial de ganhos. As mulheres também tendem a preferir homens que são mais altos do que elas. A análise de milhares de anúncios pessoais (nos jornais) - onde as pessoas são mais explícitas sobre suas exigências, e mais obviamente conscientes das exigências dos outros - mostra que estas são as qualidades mais frequentemente exigidas e oferecidas pelos que procuram companheiros.

Homens baixos, com posição modesta e mais velhos, e mulheres menos atraentes, podem portanto ter um pouco mais de restrições em sua escolha de companheiros potenciais, apesar de existirem muitas exceções a esta regra, e auto-confiança e charme podem sobrepujar aparentes desvantagens. Na seção Como Paquerar você vai encontrar dicas sobre como identificar imediatamente, mesmo em um aposento cheio de gente, se alguém provavelmente vai retornar seu interesse ou não.

Como paquerar
A primeira chave para a paquera bem-sucedida não é a capacidade de se mostrar e impressionar, mas a bossa de transmitir que você gosta de alguém. Se seu "alvo" souber que você acha ele ou ela interessante e atraente, ele ou ela ficarão mais inclinados a gostar de você. Apesar deste simples fato ter sido demonstrado em incontáveis estudos e experimentos, você na verdade não precisa dos cientistas para comprová-lo. Você já sabe que quando você ouve dizer que alguém tem interesse em você, ou ouve que alguém elogiou ou admira você, o seu interesse nesta pessoa aumenta automaticamente - mesmo se for alguém que você nem conhece!

Transmitir que você gosta de alguém e julgar se a atração é ou não é mútua claramente envolve uma combinação de habilidades verbais e não-verbais de comunicação. Quando interrogadas sobre a paquera, a maioria das pessoas - particularmente os homens - se concentram no elemento verbal: O "bate-papo", os problemas de saber o que dizer, como encontrar as palavras certas, etc. De fato, o elemento não-verbal - a linguagem corporal, o tom de voz, etc. - é muito mais importante, particularmente nos estágios iniciais da paquera.

Quando você conhece novas pessoas, a impressão inicial que elas têm de você se baseará em 55% em sua aparência e linguagem corporal, 38% em seu estilo de falar e apenas 7% naquilo que você realmente diz. Além disso, os sinais não-verbais delas vão lhe dizer muito mais sobre o que sentem sobre você do que as palavras que usarem. Nós mostramos atitudes de gostar ou de não gostar não pelo que falamos, mas pela maneira como dizemos e pela postura, pelos gestos e expressões que acompanham nossa fala. A costumeira expressão "Prazer em conhecê-lo", por exemplo, pode transmitir qualquer coisa desde "Eu te acho realmente atraente" até "Não estou nem um pouquinho interssada em você", dependendo do tom de voz, da expressão facial, da posição e da postura do falante.

Paquera Não-verbal
Quando um homem e uma mulher se encontram pela primeira vez, ambos estão em uma situação difícil, ambígua e potencialmente arriscada. Nenhuma dessas pessoas conhece as intenções e os sentimentos da outra. Como afirmar intenções e sentimentos verbalmente envolve um alto risco de se ficar embaraçado ou de uma possível rejeição, o comportamento não-verbal se torna o principal canal de comunicação. Diferente da palavra falada, a linguagem corporal pode sinalizar convite, aceitação ou recusa sem que se seja muito óbvio, sem ofender ou assumir compromissos.

Aviso: algumas técnicas de paquera não-verbal delineadas nesta seção são sinais muito poderosos, e devem ser usados com cautela. As mulheres devem ter especial cuidado quando usarem sinais de interesse e atração. Os homens tendem a confundir amizade com flerte; se seus sinais de interesse forem muito diretos e óbvios eles irão tomá-los erradamente por disponibilidade sexual.

Contato visual
Seus olhos são provavelmente sua mais importante ferramenta da paquera. Nós tendemos a considerar nosso olhos principalmente como meios de receber informações, mas eles também são transmissores altamente poderosos de sinais sociais vitais. Como você olha para outra pessoa, encontra seu olhar ou olha para outro lado pode fazer toda a diferença entre uma paquera bem-sucedida e aproveitável e um encontro embaraçoso e doloroso. O contato visual - olhar diretamente nos olhos de outra pessoa - é um ato de comunicação tão poderoso e emocionalmente carregado que nós normalmente o restringimos a um relance. O contato visual entre duas pessoas indica intensa emoção, e é um ato de amor ou um ato de hostilidade. É tão perturbador que nos encontros sociais normais nós evitamos o contato visual por mais de um segundo. Entre uma multidão de estranhos em um ambiente público, os contatos visuais duram apenas uma fração de segundo, e a maioria das pessoas evita fazer qualquer contato visual.

Esta é uma notícia muito boa para qualquer pessoa que queira iniciar a paquera de um estranho atraente. Mesmo através de um aposento cheio de gente de uma festa você pode sinalizar seu interesse em alguém simplesmente fazendo contato visual e tentando segurar o olhar de seu alvo por mais de um segundo (não muito mais, entretanto, ou você parecerá ameaçador). Se seu alvo mantiver o contato visual com você por mais de um segundo as chances são de que ele ou ela possa dar retorno ao seu interesse. Se após este contato inicial seu alvo olhar brevemente para o outro lado e então voltar a olhar para encontrar seus olhos pela segunda vez, você pode seguramente supor que ele/ela está interessado(a). Se estes contatos visuais ativarem um sorriso, você pode se aproximar de seu alvo com alguma confiança.

Se, por outro lado, seu alvo evitar contato visual com você, ou olhar para outro lugar após uma fração de segundo e não olhar de novo, você provavelmente pode supor que seu interesse não recebeu retorno. Existe ainda a possibilidade de que seu alvo seja uma pessoa muito tímida - e algumas mulheres podem, compreensivelmente, ter medo de sinalizar qualquer indício de interesse em homens estranhos. A única maneira de descobrir é observar atentamente o comportamento de seu alvo com relação a outras pessoas. Ela consistentemente evita contato visual com outros homens? Ele parece nervoso, ansioso ou desligado em suas interações com outras mulheres? Se assim for, a relutância de seu alvo em enfrentar seu olhar pode não ser nada pessoal, e pode valer uma aproximação, mas apenas com considerável cautela.

Uma vez que você tenha se aproximado de seu alvo, você vai ter que fazer contato visual de novo a fim de iniciar uma conversa. Assim que seus olhos se encontrarem, você pode começar a falar. Uma vez iniciada a conversa, é normal que se rompa o contato visual à medida que o interlocutor olha para outro lado. Nas conversações, a pessoa que está falando olha mais para o outro lado do que a pessoa que está ouvindo, e passar-a-vez (na conversa) é dirigida por um padrão característico de olhar, um contato visual e uma olhada para outro lado.

Assim, para sinalizar que você acabou de falar e convidar uma resposta, você então olha para outro lado e de volta para seu alvo. Para mostrar interesse enquanto seu alvo está falando, você precisa olhar para seu rosto uns 3/4 do tempo, em relances que durem pelo menos entre um e sete segundos. A pessoa que está falando normalmente olhará para você menos da metade deste tempo, e o contato visual será intermitente, raramente durando mais do que um segundo. Quando seu alvo acabar de falar e esperar uma resposta, ele ou ela olhará para você e fará um breve contato visual de novo para indicar que é sua vez.

As regras básicas para uma conversa agradável são: olhe mais para o rosto da outra pessoa quando você estiver ouvindo, olhe menos quando você estiver falando, e faça um breve contato visual para iniciar a troca da vez. As palavras chaves aqui são "relance" e "breve": evite olhar prolongadamente para a pessoa ou para outro lado. O erro mais comum que as pessoas fazem quando flertam é exagerar o contato visual numa tentativa prematura de aumentar a intimidade. Isto só faz com que a outra pessoa se sinta desconfortável, e pode enviar sinais errados. Alguns homens também estragam suas chances conversando com os seios de uma mulher, ao invés de olharem para seu rosto.

Distância interpessoal
A distância que você mantém da outra pessoa quando paquerando é importante, porque afetará a impressão que ela tiver de você, e a qualidade de sua interação. Talvez ainda mais importante, prestar atenção no uso que a outra pessoa faz da distância pode transmitir bastante sobre a reação dela a sentimentos sobre você. Quando você abordar um estranho pela primeira vez, tendo estabelecido pelo menos uma indicação de interesse mútuo através de contato visual, tente fazer novo contato visual a mais ou menos um metro de distância antes de chegar mais perto. A mais ou menos um metro (uns dois passos), você está no limite do que é conhecido como "zona social" (de um a três metros) e da "zona pessoal" (uns 80 cm a um metro).

Se você receber uma resposta positiva a um metro, aproxime-se até o "comprimento de um braço" (uns 80 cm). Se você tentar chegar mais perto do que isto, particularmente se você tentar cruzar os 80 cm da "zona pessoal/zona íntima", seu alvo pode se sentir desconfortável. A "zona íntima" (menos de 80 cm) está reservada para amantes, familiares e amigos muito próximos. Se você estiver perto o suficiente para sussurrar e ser ouvido, você provavelmente está perto demais para que a situação seja confortável. Estas regras de distância se aplicam particularmente em encontros face-a-face. Nós toleramos distâncias interpessoais reduzidas quando estamos lado a lado com alguém. Isto é porque quando você está ao lado de alguém é mais fácil utilizar outros aspectos da linguagem corporal, tais como virar para ir embora ou evitar contato visual, para "limitar" seu nível de envolvimento com a outra pessoa.

Você, portanto, pode se aproximar um pouco mais do que o "comprimento do braço" se estiver ao lado de seu alvo - no balcão do bar de um pub, por exemplo - mais do que face-a-face. Mas tenha cuidado em evitar uma linguagem corporal "intrusiva" - uma linguagem como contato visual prolongado ou toque. Se você mediu mal a distância apropriada, num encontro face-a-face ou lado-a-lado, o desconforto da outra pessoa pode aparecer em sua (dela) linguagem corporal. Seu alvo pode tentar virar-se para o outro lado ou desviar seu (dele) olhar para evitar contato visual. Você também pode ver "sinais de barreira" tais como braços e pernas cruzados, ou o ato de coçar o pescoço com o cotovelo em sua direção. Se você vir qualquer destes sinais, saia fora!

Finalmente, lembre-se que diferentes pessoas têm reações diferentes quanto a distância. Se seu alvo for de um país mediterrâneo ou latino-americano (conhecidos como "culturas de contato"), ele ou ela pode ficar confortável com distâncias menores do que ficaria uma pessoa inglesa ou do norte da Europa. Os norte-americanos se colocam mais ou menos entre estes dois extremos. Diferentes tipos de personalidade também podem reagir de maneira diferente à sua aproximação: os extrovertidos e aqueles que geralmente se sentem bem em grupo estarão mais confortáveis a pequenas distâncias do que tipos introvertidos, tímidos ou nervosos. Até a mesma pessoa pode variar quanto à tolerância de um dia para outro: quando estamos deprimidos ou irritados, achamos as distâncias menores menos confortáveis.

Postura
A maioria de nós tem um bom controle facial - manter uma expressão de polido interesse, por exemplo, quando estamos na verdade chorando de tédio, ou mesmo assentindo com a cabeça quando na verdade discordamos! Mas temos a tendência de ter menos consciência do que o resto do corpo está fazendo. Podemos estar sorrindo e assentindo, mas inconscientemente revelando nossa discordância com uma postura tensa, com braços apertadamente cruzados. Isto é conhecido como "vazamento não-verbal": enquanto estamos ocupados controlando nossas palavras e rostos, nossos reais sentimentos "vazam" em nossa postura. Quando paquerar você deve portanto prestar atenção em sinais deste "vazamento não-verbal" na postura da pessoa - e tentar enviar os sinais corretos com sua própria postura.

O "vazamento não-verbal" de seu parceiro pode lhe dar um aviso prévio de que seu papo não está funcionando. Se apenas a cabeça dele/dela estiver virada em sua direção, com o resto do corpo orientado em outra direção, isto é um sinal de que você não está tendo a atenção total de seu parceiro. Mesmo apenas os pés começarem a se desviar e "apontarem" em outra direção pode ser um sinal de que a atenção dele/dela está dirigida para outro lugar, ou que ele/ela está pensando em ir para outro lugar. Curvar-se para trás e sustentar a cabeça com uma das mãos pode ser sinal de tédio. Posturas "fechadas" com braços cruzados e pernas apertadamente cruzadas indicam discordância ou desafeto.

Sinais mais positivos a serem observados seriam o corpo do parceiro orientado em sua direção, particularmente se ele/ela estiver inclinado(a) para frente, e uma postura "aberta". Estes são sinais de atenção e interesse, ou de gosto. Os experimentos também mostraram que as mulheres provavelmente inclinam suas cabeças para um lado quando estão interessadas na pessoa com quem estão falando. Os homens devem tomar cuidado, entretanto, em não supor automaticamente que estes sinais indicam interesse sexual. As mulheres devem estar conscientes desta tendência dos homens para fazer tais suposições, e evitar assinalar interesse muito obviamente.

Outro sinal positivo é o que os psicólogos chamam de "congruência postural", ou "eco postural": quando seu parceiro inconscientemente adota uma postura similar à sua. Ecos posturais de imagem em espelho - quando o lado esquerdo de uma pessoa "se combina" com o lado direito de outra pessoa - são a mais forte indicação de harmonia e aproximação entre o par. Se a posição do corpo ou dos membros de seu parceiro parecerem "ecoar" ou "mimetizar" as suas, particularmente se sua (dele/dela) posição for uma imagem-espelho da sua, existem chances de que ele/ela sente afinidades com você. Quando paquerarr, você também pode usar o eco postural para criar um sentimento de aproximação e harmonia. Experimentos mostraram que apesar das pessoas não perceberem conscientemente que alguém está deliberadamente "ecoando" suas posturas, elas irão avaliar mais favoravelmente a pessoa que faz isto. Se você "ecoar' as posturas de seu parceiro, ele/ela não só se sentirá mais à vontade em sua companhia como perceberá uma afinidade mental entre vocês.

Esta técnica, obviamente, tem seus limites. Nós não sugerimos, por exemplo, que uma mulher de mini-saia "ecoe" a postura sentada de pernas abertas de seu companheiro. Mas se ele está se inclinando para frente com seu antebraço repousando sobre a mesa, ela pode criar um sentido de identidade comum "espelhando" este aspecto de sua (dele) postura - inclinando-se para frente com o antebraço direito sobre a mesa.

Além destes sinais "genéricos" de interesse, há sinais posturais especificamente masculinos e femininos que são vistos frequentemente em paqueras. Eles tendem a ser posturas que fazem sobressair a aparência masculina ou dominante do homem, e a feminilidade da mulher. Os homens podem adotar posturas que os façam parecer mais altos, mais encorpados e mais impressionantes, tais como colocar as mãos nos bolsos com os cotovelos virados para fora para alargar o tórax, ou encostar-se na parede com uma das mãos acima da linha do ombro para parecerem mais altos e mais imponentes. As mulheres podem adotar posturas que as tornem mais baixas, como trazer os joelhos na direção do corpo quando sentadas, ou posturas que chamem a atenção para atributos físicos que atraem os homens, como arquear as costas para mostrar os seios ou cruzar e recruzar as pernas para chamar a atenção para elas (as pernas).

Gestos
Assim como a postura corporal geral, os gestos que usamos podem sinalizar interesse, atração ou convite - ou desconforto, desafeto e rejeição. Quando paquerando, é importante ter consciência destes indícios não-verbais, tanto na "leitura" da linguagem corporal de seu parceiro como no controle das mensagens que você está enviando com seus gestos. Na conversação, os gestos são principalmente usados para avivar, esclarecer e "pontuar" nossa fala, ou para demonstrar correspondência ao que a outra pessoa está dizendo. Num encontro de paquera, a quantidade de gesticulação, as direções dos gestos e a coordenação dos gestos podem indicar o grau de interesse e envolvimento que seu parceiro sente em relação a você.

Diferentes culturas variam amplamente na quantidade de gesticulação que acompanha a fala ( os italianos dizem que você pode calar um italiano amarrando suas mãos em suas costas), e mesmo em uma única cultura algumas pessoas naturalmente se expressam mais através de gestos do que outras. Em geral, entretanto, alguém que estiver interessado em você estará mais vívido e animado na conversa, usando mais gestos quando falar a fim de manter sua atenção, e gestos de maior correspondência para demonstrar interesse quando você estiver falando. Similarmente, você pode sinalizar interesse em seu parceiro e manter a atenção dele/dela concentrada em você, incrementando sua fala com gestos apropriados: balançando as mãos ou a cabeça levemente ao final das frases, usando movimento de mão para baixo para enfatizar uma questão, "projetando" o que está dizendo na direção de seu parceiro com movimentos de mão espalmada, essas coisas. Quando seu parceiro estiver falando, você pode demonstrar correspondência levantando as mãos como se estivesse surpreso, juntá-las num "aplauso silencioso", etc.

Os pesquisadores descobriram que assentir com a cabeça pode ser usado para "regular' uma conversa. Se você faz assentimentos únicos e breves quando seu parceiro está falando, estes agem como sinais simples de atenção, que vão manter o fluxo de comunicação do falante. Assentimentos duplos com a cabeça vão modificar a taxa na qual a outra pessoa fala, quase sempre dando maior velocidade à fala, enquanto que assentimentos triplos ou lentos e solitários frequentemente interrompem totalmente o fluxo, confundindo o falante em sua trajetória. Então, se você quiser demonstrar interesse e manter seu parceiro falando com você, use apenas assentimentos únicos e breves. Você também pode investigar se há gestos que indicam ansiedade e nervosismo, como esfregar as mãos uma na outra ou esfregar as palmas das mãos. Como regra geral, gestos de ansiedade são dirigidos para o próprio corpo ansioso da pessoa (são conhecidos como "movimentos proximais"), enquanto movimentos "distais", dirigidos para longe do corpo, são sinais de confiança. Ao mesmo tempo que procura estes sinais em seu parceiro, você pode controlar a impressão que está dando utilizando gestos mais confiantes, "distais".

Quanto à postura, maiores envolvimento e harmonia são obtidos quando os gestos são sincronizados - quando os movimentos de um são ecoados ou refletidos pelo outro. Você pode ter notado que isto tende a acontecer naturalmente entre pessoas que se gostam e se dão bem juntas. Observe pares de namorados em um bar ou num pub, e você verá que quase sempre eles tendem a levantar suas bebidas e tomar um gole ao mesmo tempo, e que muitos de seus outros movimentos e gestos estarão similarmente sincronizados. Os psicólogos chamam isto de "sincronia interacional" ou de "dança gestual", e alguns dos resultados de suas pesquisas indicam que o timing dos gestos combinados pode ser preciso dentro de frações de segundo. Apesar desta sincronização acontecer normalmente sem esforço consciente, você pode usá-la como uma técnica altamente eficiente de paquera. Se você sentir que agora a conversa não está fluindo livremente, ou que você e seu parceiro parecem estar desconfortáveis um com o outro, tente ser mais sensível aos padrões dos gestos dele/dela e de seus movimentos corporais, e reflita os mesmos em sua linguagem corporal.

Se seu parceiro começar espontaneamente a sincronizar sua (dele) linguagem corporal com a sua, isto é sinal de que ele/ela se sente confortável com você. Os homens não devem supor que isto necessariamente indica interesse sexual, entretanto. As mulheres podem evitar criar esta impressão reduzindo a sincronização, adotando uma postura mais "fechada" e evitando o uso de gestos que sejam especificamente associados ao comportamento de paquera. Nos experimentos, ajeitar os cabelos e sacudir a cabeça estavam entre os gestos (sem contato) mais frequentemente vistos como de flerte, juntamente com repetidas cruzadas de pernas e movimentos projetados para chamar a atenção para os seios.

Expressão facial
Uma habilidade para "ler" e interpretar as expressões faciais de seu companheiro vão melhorar suas chances de uma paquera bem sucedida, assim como a consciência do que você está sinalizando com suas próprias expressões. Algumas expressões podem ser efetivas mesmo à distância, como no encontro com um estranho "no meio de um lugar cheio de gente". O "flash da sobrancelha", poe exemplo, que envolve levantar as sobrancelhas bem rapidamente - por um sexto de segundo - é usado quase que universalmente como um sinal de cumprimento à longa distância. Quando você vê alguém que você conhece, mas vocês não estão tão próximos que dê para conversar, o flash de sobrancelha mostra que você notou e reconheceu. Todos nós usamos este "Alô" não-verbal em situações onde não podemos usar o equivalente verbal, seja por causa da distância ou por causa de convenções sociais. Veja um vídeo do casamento de Andrew e Fergie (NT - o filho da rainha Elizabeth II e Sarah Ferguson), por exemplo, e você verá que Fergie executa frequentes flashes de sobrancelha enquanto caminha pela aléia da igreja. A etiqueta social não permite que uma noiva envie alegres cumprimentos para suas amigas e seus conhecidos durante a cerimônia, mas a altamente sociável Fergie claramente é incapaz de refrear a sinalização dos mesmos cumprimentos com suas sobrancelhas.

Se você está desesperada para atrair a atenção de um atraente estranho no meio de uma festa cheia, você pode tentar um flash de sobrancelha. Isto pode fazer seu parceiro pensar que você é uma amiga ou conhecida, apesar de não reconhecê-la. Quando você se aproximar, seu parceiro já pode estar imaginando quem é você. Você pode, se tiver habilidade, usar esta confusão para iniciar uma divertida discussão sobre onde vocês se encontraram antes. Estas conversas inevitavelmente se concentram sobre possíveis interesses compartilhados ou amigos e hábitos, e invariavelmente envolvem a mútua revelação de pelo menos algumas informações pessoais. Como você aprenderá na seção "Paquera verbal" deste Guia, existem ingredientes essenciais para a paquera bem sucedida. Então, supondo que seu alvo a considere atraente, um flash de sobrancelha com um acompanhamento apropriado pode levá-la em um pulo para uma intimidade instantânea.

Dois avisos são necessários aqui: (1) se seu alvo não achá-la atraente, a estratégia do flash de sobrancelha pode dar para trás, assim como a confusão sobre se vocês já se encontraram antes ou não será experimentada como chata e desagradável, mais do que divertida; (2) não use o flash de sobrancelha no Japão, onde ele tem conotações definitivamente sexuais e portanto nunca é usado como um sinal de cumprimento.

Se seu alvo estiver atraído por você, isto pode ficar mais evidente nas expressões faciais do que em palavras. Estudos descobriram que as mulheres geralmente são melhores do que os homens em ler estas expressões, mas que ambos os sexos têm igual dificulade em ver através das expressões das pessoas quando elas estão controlando seus rostos para esconder seus reais sentimetos. O problema é que apesar dos rostos expressarem sentimentos genuínos, qualquer expressão facial que ocorra naturalmente também pode ser produzida artificialmente para um propósito social. Sorrisos e caras fechadas, para tomar os exemplos mais óbvios, podem ser expressões espontâneas de felicidade ou de raiva, mas também podem ser manufaturados como sinais deliberados, como a cara fechada para indicar dúvida ou desprazer, e o sorriso para sinalizar aprovação ou concordância, etc. Os sentimentos também podem ser ocultados por baixo de um sorriso "social", um lábio superior alçado, ou uma expressão "inescrutável".

A despeito deste potencial para o "engano", nós nos baseamos mais em expressões faciais do que em qualquer outro aspecto da linguagem corporal. Na conversação, nós olhamos mais para os rostos de nossos companheiros do que para suas mãos e pés, e confiamos que seus sinais faciais estão nos dizendo o que estamos obtendo efetivamente, e como interpretar o que dizem. Apesar das pessoas serem melhores no controle de suas expressões faciais do que em outros aspectos de sua linguagem corporal, ainda assim haverá algum "vazamento", e os indícios a seguir ajudarão a detetar certa insinceridade.

Digamos que seu alvo sorri para você. Como você sabe se este sorriso é espontâneo ou manufaturado? Há quatro maneiras de saber a diferença. Primeira, os sorrisos espontâneos produzem ruguinhas características em torno dos olhos, que não aparecerão se seu alvo estiver "forçando" um sorriso por educação. Segunda, os sorrisos "forçados" ou "sociais" tendem a ser assimétricos (mais acentuados no lado esquerdo do rosto em pessoas destras e no lado direito do rosto em pessoas canhotas). A terceira indicação de falta de sinceridade é o tempo do sorriso: sorrisos não-espontâneos tendem a ocorrer em momentos socialmente inapropriados da conversa (por exemplo, alguns segundos depois que você disse algo engraçado, e não imediatamente). Finalmente, há um indício quanto à duração do sorriso, já que o sorriso manufaturado tende a ser mantido por mais tempo (o que é quase sempre chamado de "sorriso fixo"), e tende a desaparecer de maneira irregular.

Quando observar as expressões faciais de seu alvo, é importante lembrar-se que apesar de um rosto expressivo - que demonstra divertimento, surpresa, concordância, etc. nos momentos apropriados - poder indicar que seu alvo retorna seu interesse, as pessoas diferem naturalmente seu grau e estilo de expressão emocional. As mulheres naturalmente tendem a sorrir mais do que os homens, por exemplo, e mostrar as emoções mais claramente em suas expressões faciais.

Você também pode interpretar as expressões de maneira diferente dependendo de quem as está fazendo. Experimentos mostraram que as pessoas podem ler a mesma expressão como "medo" quando a vêem no rosto de uma mulher, mas como "raiva", se no rosto de um homem. Existem também diferenças culturais e mesmo regionais na quantidade de emoção que as pessoas expressam com seus rostos. As pessoas orientais mais provavelmente do que as ocidentais escondem suas emoções debaixo de uma expressão ou de um sorriso "vazio", por exemplo, e pesquisadores americanos descobriram que nos Estados Unidos as pessoas do norte sorriem menos do que as do sul.

Se um estranho atraente sorri para você, pode ser que ele ou ela ache você atraente, mas ele ou ela pode ser uma pessoa sociável vinda de uma cultura ou região onde o sorriso é uma coisa comum e não é particularmente significativo. Estes fatores também devem ser levados em consideração quando você considerar os efeitos de sua própria expressão facial. As pessoas tendem a ficar sem jeito com níveis de expressividade que forem consideravelmente maiores ou menores do que aqueles a que estão acostumadas, então pode ser útil tentar "combinar" a quantidade de emoção que você expressa em seu rosto com aquela do rosto de seu alvo.

Como regra geral, entretanto, seu rosto deve ser constantemente informativo durante uma conversação de flerte. A ausência de expressão - um rosto vazio, imutável - será interpretada como falta de interesse quando você estiver ouvindo, e uma ausência de ênfase facial quando você estiver falando será perturbadora e deixará a pessoa sem jeito. Você precisa demonstrar interesse e compreensão quando estiver escutando, e promover interesse e compreensão quando estiver falando, através de sinais faciais como sobrancelhas levantadas para demonstrar surpresa, como se fosse um ponto de interrogação ou como ênfase; os cantos da boca virando para cima como se houvesse diversão, assentimento com a cabeça para indicar concordância; cara fechada para uma dúvida; sorriso para demonstrar aprovação, ou para indicar que aquilo que você está dizendo não deve ser levado muito a sério, etc.

Felizmente a maioria destes sinais faciais são habituais, e não têm que ser conscientemente manufaturados, mas um pouco de consciência sobre suas expressões faciais pode ajudar a monitorar o efeito delas e fazer pequenos ajustes para deixar seu alvo mais à vontade, por exemplo, ou garantir a atenção dele/dela, ou aumentar o nível de intimidade. Finalmente, lembre-se de que é improvável que seu alvo esteja observando você à procura de pequenos sinais de insinceridade, de modo que um sorriso "social" será infinitamente mais atraente do que nenhum sorriso.

Toque
O toque é uma poderosa, complexa e sutil forma de comunicação. Em situações sociais, a linguagem do toque pode ser usada para se transmitir uma notável variedade de mensagens. Diferentes toques podem ser usados para expressar concordância, afeto, afiliação, ou atração; para oferecer apoio; para enfatizar uma questão; para chamar a atenção ou pedir participação; para cumprimentar, para congratular, para estabelecer ou reforçar relações de poder e para negociar níveis de intimidade. Mesmo o toque mais passageiro pode ter uma influência dramática sobre nossas percepções e nossos relacionamentos. Experimentos mostraram que mesmo um leve e breve toque no braço durante um rápido encontro social entre estranhos pode ter efeitos positivos imediatos e duradouros. Pedidos bem-educados de ajuda ou de orientação, por exemplo, produziram muito mais resultados positivos quando acompanhados por um toque no braço.

Quando paquerar, portanto, é importante lembrar que a linguagem do toque, se usada corretamente, pode ajudar a melhorar o relacionamento, mas que o uso inapropriado desta poderosa ferramenta pode arruinar suas chances para sempre. Apesar de haver consideráveis diferenças entre culturas nos níveis de toque que são socialmente aceitáveis, e diferentes personalidades recebem níveis bem diferentes de toque, podemos fornecer algumas regras básicas para primeiros encontros com estranhos do sexo oposto. A primeira regra, para ambos os sexos, é: toque, mas seja cuidadoso. As mulheres ficam muito menos confortáveis ao serem tocadas por um estranho do sexo oposto do que os homens, de modo que os homens devem tomar cuidado para evitar quaisquer toques que possam parecer ameaçadores ou por demais familiares. Os homens têm inclinação de interpretar os gestos femininos de amizade como convites sexuais, de modo que as mulheres igualmente devem evitar transmitir sinais equivocados com toques por demais familiares.

Isto não quer dizer "não toque", já que o toque apropriado vai trazer benefícios positivos (sic), mas o toque deve inicialmente se restringir a áreas e níveis universalmente aceitáveis. Como regra geral, o braço é o lugar mais seguro para se tocar um estranho do sexo oposto. (Os tapinhas nas costas são igualmente não-sexuais, mas frequentemente são percebidos como indulgência ou superioridade). Um leve e breve toque no braço, para chamar a atenção, expressar apoio ou enfatizar uma questão, é provavelmente bem aceito e melhora os sentimentos positivos de seu parceiro com relação a você. Se mesmo este dos mais inócuos toques produzir uma reação negativa - como retirar o braço, aumentando a distância, fazendo cara feia, virando-se de costas, ou outras expressões de desprazer ou de ansiedade - está na hora de você desistir. A menos que seu companheiro seja excepcionalmente tímido e reservado, reações negativas a simples toques no braço provavelmente indicam desafeto ou desconfiança.

Se seu companheiro achá-lo agradável ou atraente, um breve toque no braço deve ativar algum aumento recíproco de intimidade. Isto pode não ser tão óbvio como um retorno para seu toque no braço, mas observe outros sinais positivos de linguagem corporal, como um maior contato visual, um chegar mais para perto, uma postura mais aberta ou um eco postural, mais sorrisos, etc. Seu toque no braço pode até mesmo ativar um aumento da intimidade verbal, então escute com atenção qualquer revelação de informações pessoais, ou perguntas mais pessoais. Se você vir ou ouvir sinais de reação positiva ao seu toque no braço, você pode, após um intervalo razoável, tentar outro toque no braço, desta vez menos breve. Se isto resultar num aumento maior da intimidade verbal e não-verbal de seu companheiro, você pode pensar no próximo estágio: um toque na mão.

Lembre-se que um toque na mão, a menos que seja um aperto de mãos convencional de chegada ou partida, é muito mais pessoal do que um toque de braço. Tocando a mão de seu companheiro, você está abrindo negociações para um grau maior de intimidade, de modo que entre manso e de leve: uma pergunta, não uma ordem. Uma reação negativa a seu toque de mão, tal como sinais de desprazer ou de ansiedade mencionados acima, não significa necessariamente que seu companheiro não gosta de você, mas é uma indicação clara de que sua tentativa de avançar para o próximo nível de intimidade ou é prematura ou não é bem-vinda. Uma reação muito positiva, envolvendo um aumento significativo de intimidade verbal e não-verbal, pode ser tomado como permissão para tentar outro toque de mão num momento apropriado.

Reações altamemte positivas a um segundo toque de mão - como uma tentativa clara e definida de chegar para mais perto de você, um toque de braço e de mão recíproco, juntamente com perguntas significativamente mais pessoais, uma revelação maior de informações pessoais e a expressão de emoção - podem mesmo ser tomados como permissão para prosseguir, com cautela, para um nível superior de intimidade. Os próximos estágios podem envolver um aperto na mão ou segurar a mão dele/dela, repetidos umas duas vezes antes de passar para um braço sobre os ombros, ou talvez um breve toque de joelhos. (Os homens devem notar, entretanto, que reações positivas a quaisquer destes toques não podem ser tomadas como permissão para apalpar a moça).

Você terá notado que aconselhamos fazer cada toque duas vezes antes de progredir para o próximo nível. Isto se dá porque repetir o mesmo toque, talvez com uma duração um pouco maior, permite que você verifique se as reações ainda são positivas, e que você não estava enganado em sua avaliação de que o toque era aceitável. A repetição também diz a seu companheiro que o primeiro toque não foi acidental ou inconsciente, que você está conscientemente negociando por um aumento de intimidade. Repetir o mesmo toque antes de passar para o próximo nível é uma maneira não-verbal de dizer "Você tem certeza?"

Sinais vocais

Você pode se surpreender ao ver este título na seção "Paquera não-verbal", mas "verbal" significa "palavras", e sinais vocais como tom de voz, altura, volume, velocidade de fala, etc., são como linguagem de sinais, porque não se tratam do que você diz, das palavras que usa, mas de como você diz. Nós notamos no princípio desta seção "não-verbal" que as primeiras impressões das pessoas são baseadas 55% em sua aparência e linguagem corporal, 38% em seu estilo de falar, e apenas 7% naquilo que você realmente diz. Em outras palavras, a linguagem corporal pode ser a sua mais importante "ferramenta de paquera", mas os sinais vocais vêm num segundo lugar muito próximo. Quanto mais você pensar nos 38%, mais preocupado você ficará em assegurar que seus sinais vocais passem a melhor impressão possível. Uma habilidade em "ler" os sinais vocais da pessoa que você está paquerando também ajudará a descobrir como ele ou ela se sente com relação a você.

Atração e interesse, por exemplo, são comunicados muito mais pelo tom de voz do que pelo que realmente é dito. Dependendo do tom, do volume, da velocidade e da altura, mesmo uma simples frase como "Boa noite" pode transmitir qualquer coisa desde "Uau, você está maravilhosa" até "Eu acho você totalmente desinteressante e estou procurando uma desculpa para me afastar de você o mais rápido possível". Se o seu alvo lhe der um "Boa noite" em tom profundo, a pouca altura, lento, arrastado, com uma pequena entonação ascendente ao final, como se fizesse uma pergunta, isto é provavelmente um indício de atração, ou pelo menos de interesse. Se você receber um "Boa noite" rápido, em tom elevado e sem hesitação, ou em uma versão monótona e sem expressão, seu alvo provavelmente não está interessado em você.

Uma vez que vocês estiverem conversando, lembre-se de que a entonação de apenas uma palavra pode comunicar uma diversidade imensa de emoções e significados. Como um experimento, tente praticar variações em sua entonação da resposta de uma palavra, "É", e você verá que você pode comunicar qualquer coisa desde uma concordância entusiasmada até uma aceitação relutante a diversos graus de ceticismo, até a total descrença. Se você falar em um tom de voz monótono, com pouca variação de altura ou velocidade, perceberão você como um chato, mesmo se aquilo que você estiver dizendo for verdadeiramete fascinante ou excepcionalmente divertido. Um volume alto, um tom trovejante e muita variação de altura o farão parecer dominador. Fale muito baixo ou muito lentamente, e você parecerá submisso ou mesmo deprimido. Procure moderação no volume no tom, com variação suficiente na altura e na velocidade, para assegurar o interesse de seu companheiro.

Lembre-se também que uma entonação ascendente ou descendente, especialmente quando acompanhada por uma baixa de volume, é um "indício de passar-a-vez", através do qual os falantes sinalizam que acabaram de falar o que estavam dizendo e estão prontos para escutar a outra pessoa. Quando você ouvir estes sinais vocais, seu parceiro provavelmente está indicando que é sua vez de falar. Quando seu parceiro ouvir estes sinais, ele ou ela pode muito bem supor que você está "cedendo terreno". Se você frequentemente terminar sus frases com uma entonação ascendente ou descendente, com uma queda de volume, e então prosseguir sem deixar seu parceiro falar, ele ou ela ficará frustrado(a). Tomar a vez quando seu parceiro não deu qualquer "indício de passar-a-vez", mesmo se ele ou ela tiver terminado uma frase, será percebido como iuma interrupção, sendo igualmentre irritante.

A paquera verbal
Apesar das impressões iniciais que seu parceiro tiver de você dependerem mais de sua aparência, da linguagem corporal e da voz do que daquilo que você estiver realmente dizendo, a paquera bem-sucedida também exige boas habilidades de conversação. A "arte" da paquera verbal é realmente apenas uma questão de saber as regras de conversação, as leis não escritas de etiqueta que comandam falar e escutar. A melhor e mais agradável conversação pode parecer inteiramente espontânea, mas as pessoas envolvidas ainda estão obedecendo regras. A diferença é que elas estão seguindo as regras automaticamente, sem uma tentativa consciente, assim como os motoristas habilidosos e experimentados não têm que pensar ao trocar as marchas. Mas entender como funcionam as regras de conversação - aprender quando e como trocar as marchas - vai ajudá-lo a conversar com mais fluência, e paquerar com mais sucesso.

Estudos mostraram que as mulheres tendem a ser mais habilidosas na conversação social informal do que os homens, tanto porque são socialmente mais sensíveis como porque têm melhores habilidades verbais/comunicativas. (Os homens compensam isso com habilidades visuais/espaciais superiores, mas estas não ajudam muito na paquera verbal). Os homens, é claro, podem aprender facilmente a ser habilidosos na arte da conversação como as mulheres - é só uma questão de seguir umas poucas regras simples - mas alguns não se dão ao trabalho de aprender, ou podem não ter consciência de suas deficiências nesta área. Aqueles homens que se dão ao trabalho de aprimorar suas habilidades de conversação (talvez lendo este Guia) têm uma definitiva vantagem nas apostas das paqueras.

A conversa de abertura
Quando o alvo da paquera aparece, a maioria das pessoas parece ficar obsecada com a questão de "abertura da conversa" ou de "assuntos de conversa". Os homens falam sobre assuntos que funcionam e assuntos que fracassam; as mulheres riem do uso masculino de conversas de abertura esquisitas ou triviais, e todos nós, admitamos ou não, gostaríamos de encontrar a maneira perfeita, original e criativa de iniciar uma conversa com alguém que achamos atraente. A resposta, talvez surpreendentemente, é que nossa conversa de abertura não é realmente importante, e toda essa procura por originalidade e graça é um esforço desperdiçado. O fato é que as "aberturas" de conversação raramente são originais, espirituosas ou elegantes, e ninguém espera que sejam. As melhores aberturas, simplesmente, são aquelas que possam ser reconhecidas como "aberturas", tentativas de se iniciar uma conversa.

O tradicional comentário britânico sobre o tempo ("Dia agradável, não é mesmo?" ou "Nem parece o verão, não é mesmo?") faz bem seu papel, já que todos sabem que se trata de um iniciador de conversas. O fato de que estes comentários são fraseados como perguntas, ou com uma entonação "interrogativa" ascendente, não quer dizer que o falante esteja inseguro sobre a qualidade do tempo e precise de confirmação: significa que o falante está convidando uma resposta, a fim de se iniciar uma conversação. Na Inglaterra (NT - onde este Guia foi elaborado) entende-se universalmente que estes comentários sobre o tempo nada têm a ver com a meteorologia, e são universalmente aceitos como inícios de conversa. Dizer "Lindo dia, não é mesmo?" (ou seu equivalente para um dia chuvoso) é a maneira inglesa de dizer "Gostaria de falar com você; você conversa comigo?" Uma resposta amigável, incluindo uma linguagem corporal positiva, significa "Sim, eu converso com você"; uma resposta monossilábica (acompanhada por uma linguagem corporal que assinale falta de interesse) significa "Não, eu não quero conversar com você", e nenhuma resposta acompanhada de uma linguagem corporal sinalizando chateação ou desgosto significa "Cala a boca e vai embora".

Se você estiver em ambiente interior - digamos em uma festa ou em um bar - e não houver janela por perto, algum comentário igualmente inócuo sobre o ambiente ("Muita gente aqui, não é mesmo?", "Está meio chato aqui hoje, não é mesmo?") ou sobre a comida, a música, a bebida, etc., servirá ao mesmo propósito que o convencional comentário sobre o tempo. As palavras são realmente pouco importantes, e não há necessidade de procurar ser espirituoso ou divertido: apenas faça um comentário vago e impessoal, fraseado como uma pergunta ou com uma entonação ascendente, como se estivesse fazendo uma pergunta. Esta fórmula - o comentário impessoal interrogativo - foi desenvolvida como um método padronizado de se iniciar uma conversa com estranhos por ser extremamente eficaz. A natureza impessoal do comentário não é ameaçadora ou intrusiva; o tom interrogativo ou o final "não é mesmo?" convida uma resposta, mas não é exigente como uma pergunta direta ou aberta.

Há uma grande diferença entre um comentário interrogativo como "Tempo horrível, não é mesmo?" e uma pergunta direta e aberta como "O que você acha desse tempo?" A pergunta direta exige e requer uma resposta, e o comentário interrogativo permite que a pessoa responda minimamente, ou nem responda, se ele ou ela não quiser falar com você. Em alguns contextos sociais - como aqueles que envolvem esportes, hobbies, aprendizagem, negócios ou outras atividades específicas - a suposição de interesses compartilhados torna o início da conversa muito mais fácil, já que sua frase de abertura pode se referir a algum aspecto da atividade em questão. Em contextos assim pode haver até um procedimento ritual de aproximação a ser seguido quando se inicia uma conversa com um estranho. Nas corridas, por exemplo, qualquer um pode perguntar a qualquer um "Qual é a dica para o próximo páreo?" ou "Quem vai ganhar no de três e meia?", uma abertura ritual que efetivamente elimina toda a estranheza habitual de se aproximar de um estranho.

A menos que o contexto em que você está forneça um ritual conveniente desses, use a fórmula do CII (Comentário Interrogativo Impessoal). Esta fórmula pode ser adaptada a quase todas as situações e ocasiões. Apenas faça um comentário geral e impessoal a respeito do evento, da atividade, das circunstâncias ou do ambiente, com um tipo de final em entonação ascendente ou com um "não é mesmo?" Seu alvo vai reconhecer isto como o início de uma conversa e a resposta dele ou dela lhe dirá imediatamente se você é ou não é bem-vindo. É claro que existem graus de respostas positivas ou negativas a um CII. Os elementos que você precisa escutar são seu comprimento, sua personalização ou seu questionamento. Como regra geral, quanto mais longa a resposta, melhor. Se seu alvo responder a seu comentário com uma réplica do mesmo comprimento ou mais longa, este é um bom sinal. Uma resposta personalizada, isto é, uma que inclua a palavra "Eu" (como, por exemplo, em "Sim, eu adoro este tempo") é ainda mais positiva. Uma resposta personalizada terminando com uma pergunta ou uma entonação interrogativa (ascendenbte) (Como em "Eu pensei que esta tarde teríamos um tempo bom, não é?") é ainda melhor, e uma resposta personalizada que envolva uma pergunta personalizada , isto é, que inclua as palavras "eu" e "você", é a mais positiva de todas.

Então, se você disser "Bonito dia, não é mesmo?" e seu alvo replicar "É, eu estava ficando cansada de toda aquela chuva, você também não estava?", você definitivamente tem uma chance. Note que não há nada de original, espirituoso ou esperto no intercâmbio acima. Você pode até ficar inclinado a considerar aquilo como polido, chato e insignificante. De fato, grande parte das informações sociais vitais foram trocadas. A abertura foi reconhecida como um amigável convite para uma conversa, o convite foi aceito, o alvo revelou alguma coisa sobre ele/ela, expressou interesse em você, e até sugeriu que vocês podem ter algo em comum! O maior erro que as pessoas cometem nas frases de abertura é começar a tentar uma paquera, mais do que simplesmente tentar começar uma conversa. Se você considera sua frase de abertura como o início de uma conversa, mais do que o começo de uma paquera, use a fórmula do CII e preste muita atenção na resposta verbal e não-verbal. Não pode errar. Mesmo se seu alvo não achar você atraente e recusar seu convite para conversar, você evitará ofender e evitará a humilhação de uma rejeição direta.

A vez de cada um
Uma vez que você iniciou uma conversa com seu alvo escolhido, seu sucesso em passar uma impressão favorável dependerá tanto de suas habilidades sociais como do que você disser. Provavelmente nós todos já encontramos uma pessoa que seja articulada, espirituosa e divertida, mas que perde amigos e aliena as pessoas monopolizando a conversa, não deixando que os outros dêem uma palavra. Você também já pode ter passado pelo tipo silencioso e igualmente irritante que faz você ter todo o "trabalho" da conversa - aquele que nunca faz uma pergunta, nunca expressa interesse e não se esforça para manter a conversa fluindo.

O que você tiver a dizer pode ser fascinante, e você pode expressar isto com grande eloquência, mas se você não percebeu as habilidades sociais básicas envolvidas na passagem-da-vez na conversa, você será considerado arrogante e desagradável, e nem seu alvo nem qualquer outra pessoa vão gostar de sua companhia. A regra básica do quanto falar é muito simples: tente tornar sua contribuição para a conversa mais ou menos igual à de seu parceiro. A essência de uma boa conversa, e de uma paquera bem-sucedida, é a reciprocidade, o dar e receber, o compartilhamento, o intercâmbio, com ambos os parceiros contribuindo igualmente como falantes e ouvintes.

Obter esta reciprocidade exige uma compreensão da etiqueta da passagem-da-vez, saber quando é sua vez, assim como e quando "ceder terreno" para seu parceiro. Então, como saber quando é sua vez de falar? As pausas não são necessariamente um guia infalível - um estudo descobriu que a extensão da pausa média durante a fala era de 0,807 de segundo, enquanto que a pausa média entre os falantes era mais curta, apenas 0,764 de segundo. Em outras palavras, as pessoas claramente usavam outros sinais que não a pausa para indicar que finalmente tinham acabado de falar.

Em seções anteriores deste Guia nós descrevemos com detalhes os diversos sinais não-verbais que as pessoas usam para mostrar que terminaram o que estavam dizendo e que é sua vez de falar. Eles incluem sinais de contato visual (lembre-se que as pessoas olham mais para o outro lado quando estão falando, por isto quando olharem de volta para você isto quase sempre indica que é sua vez) e sinais vocais como uma entonação ascendente ou descendente, acompanhados de uma queda no volume. Isto pode ser acompanhado por sinais verbais de passagem-da-vez tais como a finalização da frase ou um sinal de retirada com expressões sem significado como "você sabe". Como regra geral, quanto mais estas indicações de passagem-da-vez ocorrem simultaneamente, maior é a probabilidade de que seu parceiro tenha terminado e espera que você fale. Observar e escutar estes indícios o ajudará a evitar interrupções, e também a evitar hiatos bizarros e longas pausas na conversa.

Falando
Este Guia claramente não pode lhe dizer exatamente o que falar, que palavras usar, em uma conversa numa paquera, mas é possível fornecer algumas linhas gerais sobre o que falar e como você deve se expressar, particularmente em termos de enganos e armadilhas a evitar. A negatividade, por exemplo, é um desmancha-prazeres de verdade. Se você falar demais sobre o lado ruim das coisas, e reclamar constantemente do mundo e dos seus problemas, seu parceiro logo vai ficar chateado e de saco cheio. Outras características que as pesquisas identificaram como particularmente tediosas e chatas incluem auto-preocupação (falar demais sobre você e demonstrar pequeno interesse nos outros), banalidade (só falar sobre coisas superficiais, repetindo piadas e histórias já conhecidas de sobra), tédio (falar muito devagar), passividade (não tomar parte na conversa nem expressar opiniões), falta de entusiasmo (falar monotamente, sem contato visual, expressando pouca emoção), seriedade demais (usar tom de voz e expressão sérios, mesmo quando seu parceiro está tentando uma conversa mais leve e divertida), e super-excitação (sair do assunto facilmente, falar coisas demais sem significado, usar muita gíria).

Os elogios, por outros lado, são quase universalmente bem-vindos, e não têm que ser espirituosos ou originais. Em uma análise de 600 elogios feita palavra-por-palavra (verbatim), os linguistas descobriram que eles tendem a seguir uma formula já conhecida, com a palavra nice ( NT - em inglês, significa desde agradável, satisfatório, atraente, até bom, belo, lindo, amável, gentil, correto, etc.) ocorrendo em perto de 25% dos elogios estudados, e a palavra "você" em quase 75% deles. Em outras palavras, você não deve temer fazer elogios simples e sem floreios como 'Seu casaco é bonito" (That's a nice jacket), ou "Esta cor fica muito bem em você" (That colour really suits you), já que podem ser bem eficientes. É claro que o uso excessivo de elogios pode fazer com que você pareça insinuante, e seu parceiro pode se chatear com tantas amabilidades sufocantes, mas com relação às maneiras através das quais você pode chatear alguém, os estudos mostraram que esta é a menos ofensiva.

Entretanto, os homens deveriam evitar fazer elogios embaraçosos ou potencialmente ofensivos às mulheres. Isto não é uma questão de ser "politicamente correto", mas de habilidades sociais básicas. Alguns homens precisam aprender que é inteiramente possível transmitir para uma amiga ou conhecida que você a acha fisicamente atraente sem ser grosso ou intrusivo. Um comentário admirativo simples, como "Você está uma graça (ou bonita, ou maravilhosa)" é o suficiente. Qualquer coisa mais explícita só vai causar embaraço e ofensa. A linguagem corporal também deve ser correta: dirija o elogio para o rosto dela, não para seu tórax, e sem "examiná-la", o que os americanos chamam de "olhos de elevador" (que ficam andando para cima e para baixo pelo corpo dela).

O timing é igualmente importante: há momentos, lugares e situações onde qualquer comentário sobre a aparência de uma mulher, por mais inocente que seja, será inapropriado e potencialmente ofensivo, . Não é possível listar estas situações aqui, mas como regra geral só comente sobre a aparência de uma mulher (a) se você conhecê-la bem o suficiente (este tipo de elogio não deve ser usado como um início de conversa, mas apenas em um estágio bem mais posterior da conversação da paquera), e (b) em momentos, lugares e situações nos quais a aparência for relevante - isto é, onde seria aceitável fazer-se um comentário sobre a aparência de um homem. Se a situação não for uma daquelas nas quais você faria um elogio a um homem conhecido sobre seu lindo casaco ou corte de cabelo, não comente também sobre a aparência de uma mulher.

Homens, anotem: 80% das mulheres acham que são gordas demais. Em uma pesquisa americana, perguntou-se às mulheres quais as três ou quatro palavras que elas mais gostariam de ouvir de um parceiro masculino. A resposta mais comum não foi, como se esperava, "Eu te amo", e sim "Você está mais magra". Assim como você não deve fazer qualquer comentário sobre a aparência de uma mulher se não conhecê-la bem, este elogio pode agradar uma namorada ou uma amiga íntima.

Ouvindo
Os bons ouvintes têm distinta vantagem nas apostas da paqueração, mas ser um bom ouvinte não é apenas calar a boca e deixar a pessoa falar (apesar disso certamente ajudar). Ouvir bem é essencialmente dar um bom "feedback", o que envolve dar sinais tanto verbais como não-verbais para demonstrar que (a) você está prestando atenção, e (b) está interessado. Os sinais eficazes de feedback não-verbal incluem assentir com a cabeça, sorrir, expressões faciais atentas e inclinar-se para frente, acompanhados por uma linguagem corporal geral positiva, como uma postura "aberta" e um eco postural/gestual. Bons sinais de feedback verbal incluem o uso de expressões como "hanhan", "é", "mmmm", "ah", para demonstrar interesse ou concordância e para encorajar a outra pessoa a continuar.

As pesquisas mostraram que estes sinais básicos de feedback são altamente eficazes em conseguir amigos e influenciar pessoas. Eles podem até resultar em recompensas concretas e tangíveis: estudos descobriram que, por exemplo, candidatos que dão este tipo de feedback durante entrevistas para um emprego têm maiores chances de ter sucesso do que aqueles que não dão. Mesmo alguns balanços de cabeça pode aumentar significativamente suas chances, tanto em entrevistas como numa conversa de paquera. Outra técnica eficaz do bom ouvinte é "parafrasear". Para mostrar que você está prestando atenção e está interessado, e para encorajar seu parceiro a dizer mais, pode ajudar se você ocasionalmente reunir o que seu parceiro descreveu, dizendo ""Nossa, e você estava na estação sem nenhum dinheiro! Como é que chegou casa?" Esta paráfrase será particularmente útil se seu parceiro for um pouco tímido, inseguro ou ansioso, já que vai fazê-lo sentir-se mais confiante.

Você pode ter notado que a pergunta ao final do exemplo de "paráfrase" era uma pergunta "aberta", mais do que uma perguntra "fechada" que pediria apenas um sim ou não como resposta. Se você quiser encorajar seu parceiro a falar, tente fazer-lhe mais perguntas abertas, como "De que tipo de comida você gosta?", e não "Você gosta de comida chinesa?" Se você não tiver certeza da diferença, lembre-se que uma pergunta aberta se inicia com uma das seguintes expressões: Quem, O Que, Quando, Onde, Como, Por que. Os jornalistas e os gerentes de recursos humanos aprendem a fazer perguntas que comecem com estas palavras em entrevistas para encorajar os candidatos ao emprego e as fontes a dar respostas detalhadas, mas eles são igualmente eficientes em conversação social informal - particularmente na paquera!

Abertura recíproca
Um dos aspectos mais importantes da paquera verbal é o que os psicólogos chamam de "abertura recíproca" - a troca de informações pessoais. De fato, a menos que os parceiros revelem pelo menos alguns detalhes pessoais, a conversa mal pode ser chamada de paquera. Quando vocês se encontram pela primeira vez, estes detalhes não precisam ser particularmente íntimos: a revelação de qualquer informação pessoal, mesmo algo tão inocente como o fato de que a pessoa gosta de tempo quente e de comida italiana, é um movimento em direção à intimidade. Se seu parceiro revelar algum detalhe desses você deve ser recíproco assim que possível, revelando algumas informações similares sobre você mesmo, talvez "aumentando a aposta inicial" um pouquinho ao fazer sua abertura um pouco mais pessoal. Se seu parceiro gosta de você, ele ou ela provavelmente vai tentar "combinar" sua abertura com outra de valor similar. A abertura recíproca deste modo é uma via muito mais sutil e menos ameaçadora para a intimidade do que fazer perguntas pessoais diretas.

A chave para a paquera bem-sucedida é aumentar o nível de intimidade gradualmente, sempre mantendo um equilíbrio entre suas aberturas e as do parceiro. Evite ir muito à frente revelando demais, ou ficar para trás revelando muito pouco. As mulheres devem ter consciência de que os homens tendem a interpretar a abertura de informações pessoais como um sinal de disponibilidade sexual, e devem ser particularmente cuidadosas sobre o quanto revelam.

Humor
O humor é uma poderosa arma da paquera. É quase impossível paquerar com sucesso ou com agrado sem ele, mas ainda assim ele pode dar errado facilmente se você abusar dele ou usá-lo mal. No lado positivo, os estudos mostraram que as pessoas que usam o humor em encontros sociais são percebidas como mais agradáveis, e que tanto a confiança como a atração aumentam quando se usa uma aproximação alegre. O uso judicioso do humor pode reduzir a ansiedade e estabelecer um estado de espírito relaxado que ajuda o relacionamento a se desenvolver mais depressa. Um risco mais ou menos calculado: uma piadinha pode ajudar a aumentar o nível de intimidade numa conversa de paquera. No lado negativo, o uso inapropriado do humor pode matar uma paquera promissora para sempre em questão de segundos. Fazer uma piadinha ou um comentário cedo demais, por exemplo, antes que se estabeleça um grau razoável de intimidade, é o equivalente verbal de um beliscão na bunda. Os homens em geral mais provavelmente fazem este tipo de erro fatal do que as mulheres. As mulheres, entretanto, precisam ser ainda mais cautelosas em seu uso do humor sexual, já que os homens têm inclinação para interpretá-lo como sinal de disponibilidade sexual.

Ao mesmo tempo que é claramente importante evitar ocasionar uma ofensa ou fazer sinais enganosos, o humor é um elemento essencial da paquera. Por definição, a paquera é uma forma alegre e leve de interação. Um encontro em uma paquera pode eventualmente levar a uma relação "séria" de longo prazo, mas seriedade demais nos primeiros estágios é desalentador. Mesmo a longo prazo, a capacidade de uma brincadeira alegre é importante. Não é acidental que tantas pessoas solteiras procurando companhia através de anúncios pessoais incluam "gsoh"(good sense of humour", bom senso de humor) em suas exigências.

O humor pode claramente reduzir a tensão e a estranheza nos primeiros estágios do encontro de uma paquera. Na seção sobre abertura de conversa nós aconselhamos o uso de frases que sejam universalmente reconhecidas como "inícios de conversação", tais como comentários sobre o tempo. Um toque de humor pode tornar estas aberturas de conversação ainda mais eficazes. Não há necessidade de tentativas elaboradas de espirituosidade: uma inversão simples como "Lindo dia, não é mesmo?" durante uma tempestade torrencial vai despertar um sorriso se o seu alvo achá-lo atraente. (Se o seu alvo não achá-lo atraente, esforços mais elaborados não serão mais eficientes). Uma vez que algum grau de atração mútua tenha sido estabelecido, o uso do humor em conversas da paquera tende a surgir naturalmente, já que ambos os parceiros estão motivados para manter seu alvo divertido e interessado. Nosso instinto natural é tentar fazer a outra pessoa sorrir. Precisamos de constante reafirmação de que o objeto de nossa atração gosta de nós e nos aprecia, e os sorrisos e as risadas provêem tal reafirmação.

Uma forma particular de humor, a provocação de brincadeira, é particularmente comum em encontros de paquera. Isto porque a provocação de brincadeira permite que os parceiros aumentem o conteúdo "pessoal" do intercâmbio, ao mesmo tempo que mantêm o tom leve e brincalhão, aumentando dessa maneira o nível de abertura e intimidade de maneira não ameaçadora. Os homens respondem particularmente bem a esta forma de humor, já que ela se parece muito com as "falsas discussões" e as trocas bem-humoradas de insultos que são seu meio normal de expressar amizade entre eles. Os erros mais comuns do uso do humor na paquera envolvem extremos opostos. Os homens têm mais probabilidades de abusar do humor ou de monopolizar o relato de piadas, e deixam de notar que sua companheira está frustrada ou chateada. As mulheres algumas vezes têm a tendência de usar pouco humor - para adotar um tom sério quando seu companheiro estaria mais confortável diante de um papo leve. Há muitas exceções, é claro: todos já conhecemos homens seríssimos e mulheres jocosas, mas quase todos os estudos mostram que geralmente as mulheres são mais cautelosas em seu uso do humor, enquanto os homens são mais inclinados a evitar a seriedade de uma conversa de coração para coração.

Se você acha que às vezes é culpado(a) de uso excessivo ou inadequado do humor, observe cuidadosamente seu companheiro atrás de sinais de chateação ou de embaraço - como os pés se afastando de você, sorrisos forçados, reduzido contato visual, reduzidos sinais de atenção verbal, inquietação, cruzar defensivamente os braços, etc. Se você estiver exagerando no humor, estes serão seus indícios para diminuí-lo um pouco. Se você estiver sério(a) demais, anime-se!

Despedida
Sua abordagem à despedida após uma conversa de paquera é de importância crítica, já que vai determinar seu futuro relacionamento com seu companheiro. Muitos encontros de paquera são naturalmenbte de curta duração - onde se subentende que não há intenções sérias, apenas um reconhecimento bom para o ego de que há atração mútua. Estes "breves encontros" leves são parte normal da interação social, e só os patéticos ou os desesperados poderiam imaginar que cada conversa passageira de uma paquera é o prelúdio para um matrimônio. A paquera não seria, entretanto, uma característica tão universal da interação humana se ela não servisse ocasionalmente a algum propósito de longo prazo - como sexo, reprodução, sobrevivência da espécie, etc. Ao mesmo tempo em que não há mal algum em praticar nossas habilidades de paquera só de brincadeira, haverá ocasiões em que desejaremos continuar o relacionamento, e um alegre e despreocupado "Então, até logo" ou "Foi legal te ver" não vai ser o suficiente. Isto ocorre quando palavras e gestos de despedida adquirem maior significado.

Todo vendedor sabe que não há muita vantagem em se estabelecer um grande relacionamento com potenciais clientes, atraindo seu interesse, ganhando sua confiança, e etc., se você não "fecha" - "fechar" é a palavra em linguagem de vendedor para "fazer a venda", assegurar o contrato, fazer o cliente mostrar o dinheiro ou assinar na linha pontilhada. O pessoal de vendas recebe treinamento especial em "técnicas de fechar" para ajudá-los a chegar neste importantíssimo ideal. Da mesma maneira, se você estiver genuinamente atraído pelo seu companheiro de paquera e quiser vê-lo de novo nenhuma das dicas deste Guia terá muita utilidade a menos que você seja capaz de "fechar" eficazmente. Neste caso, sua meta em "fechar" ' é assegurar não um contrato ou uma venda, mas a chance de encontrá-lo novamente.

Correndo o risco da rejeição, este é o momento quando você deve ser explícito quanto aos seus desejos. Indicações sutís e uma linguagem corporal positiva vão ajudar a chegar até este ponto, e uma cuidadosa observação das reações de seu parceiro lhe dirá se seu "fechamento" vai ser bem-sucedido, mas apenas estas técnicas não conseguem um número de telefone ou um outro encontro! Você tem que pedir. E a estratégia mais simples é a pura honestidade. Você não tem que declarar amor imorredouro, só perguntar: "Você gostaria de nos encontramos semana que vem para tomar alguma coisa?" (ou algo equivalente, sendo as palavras exatas de pouca importância, mas deve ser um pedido claro). Se começar o namoro ali mesmo pode parecer esquisito ou inapropriado, diga alguma coisa como "Talvez possamos nos encontrar outra vez - pode me dar seu número de telefone?" Alguns "manuais de namoro" americanos recomendam que você preceda este pedido com uma afirmação como "Gostei muito de conversar com você e gostaria de vê-la denovo". Você pode fazer isto se quiser, mas isto já estará implícito no pedido por um encontro ou pelo número de telefone, daí que será algo supérfluo.

Manuais de namoro e artigos em revistas femininas também insistem constantemente que hoje em dia é aceitável que as mulheres tomem a iniciativa de pedir um encontro a um homem. De fato, eles nunca se cansam de dizer, os homens adoram quando as mulheres tomam a iniciativa. Isto é verdade mesmo, e se você ler as pesquisas científicas sobre o assunto você vai descobrir porque. Os estudos e experimentos mostram que os homens julgam as mulheres que tomam a iniciativa de pedir um encontro como mais sexualmente disponíveis. Para falar mais diretamente, se uma mulher pede o encontro, eles acham que têm uma chance maior de "comer". Naturalmente, ficam deliciados.

Se você for uma mulher e quiser evitar dar esta impressão, há uma solução simples. Ao invés de pedir o número de telefone de seu parceiro, ofereça o seu próprio. Diga algo como: "Talvez possamos tomar alguma coisa outro dia? Aqui está meu telefone". Isto deixa perfeitamente claro que você está interessada nele, mas ainda exige que o homem tome a iniciativa de pedir um encontro.

É claro que você é livre para recusar esta sugestão como desesperadoramente antiquada, sexista, que possa ter duplo-sentido, etc. Não é assunto deste Guia fazer juízos morais sobre a paquera, apenas fornecer informações sobre as últimas descobertas científicas. A paquera tem feito parte do comportamento humano por milhares de anos, e aprove você ou não, as últimas descobertas mostram que não mudou muita coisa. Os homens sempre tenderam para uma interpretação super-otimista dos sinais femininos, e as mulheres sempre ajustaram seus sinais para encorajar apenas os homens selecionados.

A despeito da desaprovação dos puritanos do século 17, dos moralistas vitorianos e de seus equivalentes modernos, tanto nos campos da "maioria moral" como do "politicamente correto", estes instintos básicos de paquera persistem, e a humanidade sobrevive.

Site original:
www.sirc.org/publik/flirt.html