BASES
CEREBRAIS DA PERCEPÇÃO DE FONEMAS NO BEBÊ
Ghislaine
Deahene-Lambertz (22.10.1999)
Tradução:
Pedro Lourenço Gomes
Resumo.
No adulto, a fMRI evidenciou as redes especializadas
no tratamento de diferentes características acústicas,
como a frequência, a intensidade ou a duração
de um som, e mais recentemente as redes especializadas
na codificação fonológica. Esta
especialização cerebral está presente
desde a mais tenra idade ou é consequência
da aprendizagem? Ela é baseada nas assimetrias
funcionais entre os hemisférios direito e esquerdo?
Nós registramos os potenciais evocados cartográficos
em bebês de três meses em tarefas de discriminação
fonética e acústica. Três tipos
de contrastes foram estudados: em primeiro lugar, uma
modificação no timbre de dois tons contínuos
foi oposta a uma mudança de fonema (/ba/ vs /ga/),
em segundo lugar, uma mudança de voz (mulher
vs homem) a uma mudança de fonema, e em terceiro
lugar uma mudança de fonema no interior de uma
categoria fonética (/ba/1 vs /ba/2) a uma modificação
que atravessava uma fronteira fonética (/da/
vs /ba/2). Todas as cartografias das respostas de discriminação
sugerem geradores temporários. Apesar disso,
diferenças significativas na distribuição
da voltagem no escalpo sugerem que redes neuronais diferentes
são ativadas segundo a natureza da modificação.
Por exemplo, os dipolos eram mais dorsais e posteriores
para uma modificação fonética (/da/
vs /ba/2) do que para uma modificação
acústica similar mas sem valor linguístico
(/ba/1 vs /ba/2). As voltagens registradas eram mais
elevadas sob o hemisfério esquerdo do que sob
o direito, qualquer que fosse a natureza do estímulo
(tons ou sílabas), ou a natureza da modificação
(acústica ou linguística). Existe então
no bebê, como no adulto, uma organização
em redes especializadas para o tratamento de estímulos
auditivos. Ainda permanece a ser estudado como as lesões
cerebrais precoces modificam essa organização
funcional e se é possível examinar essas
técnicas na prática clínica.
1
Introdução
No
adulto, ainda que a maioria dos sons seja percebida
de maneira contínua, a percepção
dos fonemas é categorial: uma mesma diferença
física entre dois fonemas é mais bem percebida
se os dois fonemas estiverem de um lado e de outro de
uma fronteira fonética do que se os dois fonemas
pertencerem à mesma categoria. Os exemplares
de uma categoria, portanto, não são similares,
e existem os bons e os maus representantes da categoria.
Essa estrutura interna das categoria fonéticas
está na origem do "efeito de imã"
: um representante da categoria é mais difícil
de ser discriminado se for comparado ao protótipo
da categoria do que se for comparado a um exemplar não
protótipo (Kuhl, 1991).
A
percepção fonética do bebê
apresenta características similares às
daquelas encontradas no adulto. Ela é, como no
adulto, categorial (Eimas, Siqueland, Jusczyk, e Vigorito,
1971), e as categorias fonéticas são estruturadas
(Miller e Eimas, 1996). Mas ao contrário dos
adultos, eles são capazes de discriminar contrastes
fonéticos não utilizados na língua
materna. Por exemplo, os adultos japoneses percebem
muito mal a diferença entre /r/ e /l/ (Miyawaki
e colegas, 1975). Mas os bebês japoneses distinguem
sem dificuldade esse contraste (Tsushima e colegas,
1994), assim como os bebês anglófonos discriminam
os contrastes do hindi não percebidos por seus
pais (Werker & Tees, 1984). Essa capacidade de discriminação
de contrastes não utilizados na língua
materna desaparece entre os 8 e 12 meses, como mostraram
Werke e Lalonde (1988). O ambiente linguístico
afeta mais depressa ainda a percepção
das vogais: a partir dos 6 meses, as categorias vocálicas
da língua materna se estabelecem (Kuhl, Williams,
Lacerda, Steves & Lindblom, 1992). Duas hipóteses
diferentes foram propostas para explicar a influência
determinante da língua materna sobre a percepção
de fonemas. Segundo a primeira hipótese, a exposição
a um subgrupo de fonemas, aqueles presentes no ambiente
linguístico, estruturaria o espaço fonético
em torno de protótipos, e então ocasionaria
uma reorganização radical em nível
sensorial (Kuhl e colegas, 1992). Segundo a outra, as
etapas precoces da percepção dos fonemas
permaneceriam não mudadas e portanto universais,
mas a aquisição da língua materna
levaria à instalação de filtros
atencionais em um estado posterior do tratamento.
Para
se estudarem as bases cerebrais da percepção
de fonemas, escolhemos utilizar os potenciais evocados.
Vindos das técnicas eletroencefalográficas,
os potenciais evocados consistem no registro da atividade
elétrica do cérebro no nível do
escalpo, após uma ocorrência sensorial.
A modificação do sinal elétrico
a partir das apresentações sucessivas
do estímulo permite extrair da atividade cerebral
de fundo a sequência de ocorrências elétricas
ligada ao tratamento do estímulo. É então
teoricamente possível deduzir daí os procedimentos
de tratamento do estímulo e eventualmente as
regiões cerebrais implicadas em cada uma dessas
etapas. Numerosas experiências que utilizaram
os potenciais evocados mostraram que a introdução
de um novo som em uma série de sons repetidos
era a origem de uma composição precoce,
a mismatch negativity (NT - negatividade de descombinação,
de incompatibilidade) (MMN) (Näätänen,
1990). Essa ocorrência elétrica é
gerada a partir da detecção da diferença,
ou mismatch, entre as características do estímulo
diferente e o traço de memória do estímulo
padrão. Giard, Lavikainen, Reinikainen, Perrin,
e colegas (1995) mostraram que a modificação
de diferentes parâmetros (duração,
frequência ou intensidade) ocasionava diferentes
MMNs, que eram geradas por diferentes redes neuronais
do plano temporal. A possibilidade de uma codificação
das características fonéticas a partir
desse nível já foram discutidas (Aaltonen
e colegas, 1992); (Aaltonen e colegas, 1993; Kraus e
colegas, 1995).
2
Influência da língua materna sobre a percepção
dos fonemas no adulto
Nessa
experiência com o adulto, nós escolhemos
opor mudanças acústicas que têm
ou não valor linguístico, que sejam utilizadas
ou não na língua materna dos sujeitos.
A partir de sílabas sintetizadas ao longo de
um continuum existente sobre o local de articulação,
dois contrastes fonéticos foram estudados. Um
deles, /ba/ /da/, está presente no francês,
e o outro, /da/ /dza/, é um contraste hindu,
ausente no francês. As sílabas foram apresentadas
em blocos de quatro. As três primeiras sílabas
eram idênticas entre elas e forneciam o contexto.
A última sílaba dos blocos era mantida
constante por um contraste fonético dado. Ela
era ou fisicamente idêntica às três
sílabas precedentes (controle), ou pertencia
à mesma categoria fonética (modificação
intra-categoria), ou pertencia a uma categoria diferente
(modificação inter-categorias). A utilização
de sílabas sintéticas permitiu que nos
assegurássemos de que a modificação
acústica ao longo do continuum fosse similar
para as modificações intra-categorias
e para as modificações inter-categorias.
A modificação foi percebida pelos adultos
franceses em 81% das modificações inter-categorias
na fronteira /ba/ /da/, e somente entre 13 e 19% para
as outras modificações.
A
utilização de uma rede geodésica
de 129 eletrodos permitiu afinar a resolução
espacial dos potenciais evocados. Como a sílaba
teste era idêntica nas três condições
(controle, modificação intra e inter categorias)
a cada fronteira fonética, as diferenças
das respostas evocadas entre as diferentes condições
só podiam estar ligadas à representação
do contexto mantido na memória sensorial e à
diferença entre a sílaba e esse contexto.
Com 200 ms apareceu uma resposta para a única
modificação que tinha valor linguístico
na língua materna dos sujeitos, quer dizer, para
a modificação inter-categorias na fronteira
/ba/ /da/. Uma grande MMN foi registrada em seguida
para essa condição lá pelos 280
ms, ainda que fosse menos ampla com referência
à modificação intra-categorias
nessa mesma fronteira /ba/ /da/, e totalmente ausente
com referência às modificações
intra- e inter- categorias na fronteira do hindu /da/
/dza/. Essa experiência demonstra que a MMN não
responde apenas às características acústicas
dos fonemas, porque nesse caso a resposta elétrica
teria sido idêntica em todos os casos de modificação
(Dehaene-Lambertz, 1997). Ao contrário, ela sugere
que a representação de um fonema mantido
na memória sensorial comporta igualmente um código
fonêmico ao qual o fonema desviante é comparado.
A topografia da MMN em nossa experiência é
similar àquela descrita na literatura, e os dipolos
geradores dessa onda são habitualmente localizados
no planum temporale.Enfim, existia uma assimetria direita-esquerda
mais importante no caso de uma mudança linguisticamente
pertinente para os sujeitos. Näätänen,
Lehtovoski e colegas (Näätänen e colegas,
1997) obtiveram resultados similares com sujeitos finlandeses,
que entendiam sílabas finlandesas ou estonianas.
Eles localizaram com a magnetoencefalografia a representação
fonêmica no córtex auditivo do hemisfério
esquerdo. Essas experiências permitem descartar-se
a hipótese de filtros tardios para se explicar
a influência da língua materna, e favorecem
uma reorganização das categorias fonéticas
no interior do sistema auditivo.
Em
resumo, existe no adulto uma resposta elétrica
precoce e específica para uma modificação
fonética linguisticamente pertinente na linguagem
do sujeito. A informação fonética
é então rapidamente extraída e
representada na memória sensorial. Essa resposta
implica redes neuronais situadas no planum temporale,
provavelmente principalmente no hemisfério esquerdo.
Como se constrói essa resposta dependente da
língua materna? Será que a língua
materna modela um sistema acústico geral ou age
selecionando entre as representações linguísticas
universais?
3
Bases cerebrais da discriminação de estímulos
auditivos (fonemas) no bebê
Antes
de se examinar a influência da língua materna,
é necessário estudar-se primeiro como
o sistema auditivo do bebê é estruturado,
e caracterizar a resposta a um estímulo desviante
introduzida em uma sequência de estímulos
repetidos. Por exemplo, qual é a resposta à
introdução de uma nova sílaba /ba/
depois de diversos /ga/?
O
mesmo paradigma experimental que foi utilizado com os
adultos: séries de quatro sílabas sendo
apresentadas, e a última da série sendo
ou não similar às três precedentes.
A análise da evolução temporal
e da distribuição topográfica da
atividade elétrica nos bebês de dois meses
permitiu decompor a capacidade de discriminação
silábica em uma sucessão de três
etapas cujas função, cronologia e localização
cerebral puderam ser precisadas (Dehaene-Lambertz &
Dehaene S., 1994). As duas primeiras etapas se superpõe
em duas regiões temporais diferentes e correspondem
a uma análise acústica progressivamente
afinada da sílaba: a 220 ms, a análise
acústica efetuada não permite separar
as duas sílabas que são idênticas
em duração, intensidade e frequência
fundamental. A 400 ms(pique 2) , a informação
fonética é tratada, e permite discriminar-se
entre as duas sílabas.
Esses
resultados demonstram igualmente que uma só apresentação
é suficiente para que os bebês reconheçam
se uma sílaba é nova ou não, já
que com os métodos comportamentais utilizados
classicamente eram necessárias muitas apresentações
do estímulo antes que se observasse uma modificação
do comportamento. Enfim, essas duas primeiras etapas
mostram uma assimetria em favor do hemisfério
esquerdo.
Uma
terceira etapa frontal (Negative Component, ou Nc) sobrevém
a partir dos 700 ms depois da introdução
da nova sílaba, e corresponde à ativação
de um sistema anterior supra-modal de orientação
para a novidade. Esses dois acontecimentos sensíveis
à modificação (pique 2 e Nc) sugerem
uma organização funcional no bebê
muito próxima à do adulto, onde a detecção
consciente do desvio de um estímulo se efetua
em dois tempos (Näätänen, 1990): uma
primeira etapa temporal específica da modalidade,
automática (MMN no adulto ou pique 2 no recém
nascido) será seguida por uma segunda etapa amodal
e que depende da atenção (P300 no adulto
ou Nc no recém-nascido). Para se obter a detecção
consciente de uma modificação no adulto
são necessárias essas duas etapas. A existência
de procedimentos comparáveis no adulto e no bebê
para a detecção da novidade põe
em evidência a existência nos jovens recém-nascidos
de mecanismos cognitivos de alto nível.
4
Organização funcional do tratamento auditivo
no bebê: Especialização hemisférica
precoce?
A
experiência precedente com os bebês permitiu
que fossem descritas as etapas cerebrais da discriminação
de duas sílabas. Mas ela não permite precisar
se essas etapas são específicas de um
tratamento linguístico, ou se são mais
geralmente as etapas de discriminação
de dois sons, sejam quais forem. Além disso,
as voltagens eram muito importantes, por sobre o hemisfério
esquerdo. Será isso devido a uma vantagem precoce
do hemisfério esquerdo para o tratamento de estímulos
linguísticos? Para responder a essas perguntas,
retomamos o mesmo paradigma de antes nas tarefas de
discriminação fonética e acústica.
Foram estudados dois tipos de contrastes: primeiramente,
uma modificação de timbre de dois tons
contínuos foi oposta a uma modificação
de fonema (/ba/ vs /ga/), e em seguida uma modificação
de voz (homem vs mulher) foi oposta a uma modificação
de fonema.
Como
antes, a resposta de discriminação após
o estímulo desviante se situa no nível
do pique 2, e as cartografias das respostas de discriminação
sugerem, em todos os casos, geradores temporais. Entretanto,
a presença de diferenças significativas
na distribuição da voltagem sobre o escalpo
segundo a natureza da modificação sugere
que, como no adulto, redes neuronais diferentes codificam
as diferentes características do som. Em compensação,
não surgiu qualquer evidência em favor
de uma implicação mais importante do hemisfério
esquerdo no tratamento linguístico com relação
a um tratamento acústico. Ao contrário,
as voltagens registradas eram sempre mais elevadas por
sobre o hemisfério esquerdo do que sobre o hemisfério
direito, qualquer que fosse a natureza do estímulo
(tons ou sílabas) ou a natureza da modificação
(acústica ou linguística). Isso é
provavelmente consequência de assimetrias anatômicas
interferindo com a medida dos potenciais evocados (inclinação
diferente das fissuras silvianas da direita e da esquerda,
planum temporale maior à esquerda, sincronização
ou direção dos eixos neuronais mais homogêneos
à esquerda do que à direita) ou (consequência)
de uma real assimetria funcional ligada, por exemplo,
à rapidez do amadurecimento. O estudo de uma
tal assimetria com uma outra técnica, como a
espectrografia aproximada por infravermelho (NIRS) permitiria
uma separação entre essas hipóteses.
Com efeito, se uma medição metabólica,
como a NIRS, confirmasse uma medição elétrica,
como nos potenciais evocados, deveria ser reconsiderado
como uma tal assimetria do tratamento auditivo no momento
em que o bebê aprende a fonologia de sua língua
poderia ser um fator da especialização
esquerda para a linguagem, no adulto.
Em
resumo, existe então no bebê e no adulto
uma organização em redes especializadas
para o tratamento de estímulos auditivos. Entretanto,
os potenciais evocados de alta densidade não
permitiram que se colocasse em evidência uma implicação
mais importante do hemisfério esquerdo no tratamento
linguístico em ligação a um tratamento
puramente acústico. Ao contrário, as voltagens
registradas eram sempre mais elevadas sobre o hemisfério
esquerdo do que sobre o direito, qualquer que fosse
a natureza do estímulo (tons ou sílabas)
ou a natureza da modificação (acústica
ou linguística).
5
Percepção categorial no bebê: evidências
de um tratamento linguístico específico
precoce
Ainda
que as experiências precedentes tenham permitido
colocar em evidência a organização
do sistema auditivo dos bebês em redes específicas
que codificam as diferentes propriedades acústicas
de um estímulo sonoro, elas não permitem
que se afirme a existência de uma rede neuronal
especificamente dedicada ao tratamento linguístico.
De fato, os detectores de transições rápidas
poderiam ser ativados no caso de modificações
de fonemas estudadas nas experiências precedentes,
sem que seja necessário postular um tratamento
linguístico. Isso porque, na experiência
seguinte, nós retomamos as sílabas sintéticas
testadas no adulto (continuum /ba/ /da/) e opusemos
duas modificações acústicas equivalentes
com ou sem valor linguístico, quer dizer, uma
modificação de fonema intra-categoria
(/ba/1 vs /ba/2) e inter-categoria (/da/ vs /ba/2).
Existe
uma resposta de discriminação para os
dois tipos de modificação. Entretanto,
a resposta é mais ampla e mais difusa para a
modificação inter-categoria do que para
a modificação intra-categoria. A topografia
é igualmente diferente, com diferenças
significativas entre esses dois tipos de modificação
sobre os eletrodos frontais. Essas diferenças
de topografia sugerem que não são as mesmas
regiões que se ativam nesses dois tipos de modificação.
Mesmo se a diferença entre as duas condições
é significativa sob as regiões frontais,
isso não significa que a ativação
cerebral no caso de uma modificação linguística
seja de origem frontal. De fato, a modelização
dos geradores na origem do pique 2 coloca os dipolos
de origem simétrica no córtex temporal
direito e esquerdo com uma assimetria do fio do dipolo
em favor da esquerda em todas as condições
experimentais. Os dipolos estão mais atrás
e mais acima para a modificação fonética
(portanto na direção da região
de Wernicke) do que para a modificação
acústica (Dehaene-Lambertz, 1998).
Concluindo:
como o adulto, os bebês de três meses apresentam
uma resposta particular a uma modificação
acústica que possui um valor linguístico
com relação a uma modificação
acústica equivalente sem valor linguístico.
Isso demonstra a presença de redes neuronais
especificamente engajadas em um tratamento linguístico,
desde a mais tenra idade. O ambiente linguístico
age então sobre um sistema auditivo estruturado,
comportando redes neuronais dedicadas ao tratamento
linguístico. Atualmente estamos a caminho de
realizar experiências para seguir as modificações
ligadas à influência da língua materna
durante o primeiro ano de vida. A modificação
profunda durante o primeiro ano de vida das respostas
à palavra em função da língua
materna é um argumento suplementar para a detecção
e aparelhamento precoce da surdez. Além disso,
pareceria importante estudar na criança surda
aparelhada como se efetua essa reorganização
cerebral.
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